terça-feira, 15 de outubro de 2013

OPINIÃO DE JOAQUIM BARBOSA

14/10/2013
 às 17:44

Biografias – Lamento discordar! Opinião de Joaquim Barbosa não é boa. Na verdade, é bem ruim!Do Blog de Reinado Azevedo para a Veja.com

Essa história de proibição da publicação de biografias é de tal sorte absurda, afronta com tal clareza a Constituição e agride de tal sorte os fundamentos de uma sociedade livre que a gente é tentado a se entusiasmar com qualquer opinião que se alinhe, ou pareça se alinhar, com a causa da liberdade, sem atentar para nuances que podem fazer toda a diferença. O diabo adora se esconder nos detalhes. E só é diabo, como se sabe, porque é velho (quer dizer: experiente), não porque seja sábio. E o caso, por exemplo, da afirmação feita nesta segunda pelo presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, ao participar do congresso promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), na PUC-Rio. O que afirmou o ministro? Extraio sua fala do texto publicado na VEJA.com por Cecília Ritto.
Ele se disse contrário à censura prévia, mas ponderou:
“Um grande artista, músico, ainda vivo, se vê diante de uma biografia devastadora de sua vida e intimidade. Sinto um desconforto com essa situação. A pessoa está produtiva, no mercado, e aí vem uma biografia assim. Defendo a indenização pesada ou um tempo de concessão, após 10 anos da morte da pessoa, para escrever o que quiser”.
Opa, opa, opa! Comecemos do mais absurdo. Esperar dez anos? Por quê? Estamos aqui partindo do princípio de que se trata de biografias de pessoas públicas, que remetem a questões que são do interesse também público. Ora, o Código Penal está aí, existindo maneiras de punir a calúnia, a injúria e a difamação. Esse procedimento valeria apenas para os artistas ou alcançaria deputados, senadores, presidentes da República e ministros do Supremo? Essa ideia dos 10 anos é uma forma de tentar misturar água e óleo, liberdade com censura.
Também é preciso tomar cuidado com a história da “pesada multa”. O que isso quer dizer? Se não faz sentido manter ativa uma lei que viola a Constituição, tampouco parece decente que se recorra à extorsão pecuniária para tentar impedir a publicação de livros.
Por Reinaldo Azevedo

MAIS BURACOS QUE ESTRADA

MAIS BURACOS QUE ESTRADA


A estrada Nazaré - Valença, Ba. 001, que liga o Terminal de Bom Despacho à Costa do Dendê e Costa do Cacau e ainda a Costa do Descobrimento, está intransitável. Verdadeiras crateras impedem o livre trânsito de veículos. Quem trafega nessa estrada do cão pode ser tragado para o interior da terra e de lá nunca mais sair. 

Como as autoridades fazem vista grossa e cara de paisagem, chamamos o Ministério Público para cumprir sua tarefa constitucional - obrigar as  ditas autoridades competentes (ou incompetentes) a resolverem o problema. O risco de acidentes é enorme. 

Os  
veículos que trafegam nesta ex-estrada ficam danificados. Somando-se a tudo isto, o prejuízo é ainda maior, com sistema Ferry-Boat que continua atrasando a travessia Mar Grande - Salvador em muitas horas.

A ÚLTIMA DE DILMA

15/10/2013
 às 5:45

A última de Dilma Bolada… E o deserto de ideiasDo Blog de Reinaldo Azevedo na Veja.com

Decidi manter este texto no alto da página
Dilma Bolada, o alter ego descolado de Dilma Rousseff, parece que continua no comando. No Rio Grande do Sul, ela concluiu que, atrás de uma criança, há sempre um cachorro. O que pretendeu dizer com aquilo permanece um mistério, e duvido que vá ter tradução algum dia. Nesta segunda, ela esteve em Itajubá, em Minas, estado de origem de Aécio Neves, um dos pré-candidatos do PSDB à Presidência. E voltou a refletir em voz alta — e, tudo indica, sem o planejamento do marketing. Afirmou o seguinte, segundo transcreve o Estadão Online:
“Tudo o que as pessoas que estão pleiteando a Presidência da República querem é ser presidente. Eu sou presidente e não fico tratando… Para mim não é problema a eleição agora (…). Acredito que, para as pessoas que querem concorrer ao cargo, elas têm de se preparar, estudar muito, ver quais são os problemas do Brasil. Eu passo o dia inteiro fazendo o quê? Governando.”
Ai, ai…
A revelação certamente mais surpreendente, se a gente se atém apenas ao sentido das palavras, é mesmo esta: “Tudo o que as pessoas que estão pleiteando a Presidência da República querem é ser presidente”. Em si, trata-se de uma tolice. Mas é preciso ir um pouquinho além. O que vai nessa tautologia ultrapassa o limite da bobagem e expõe uma cultura política autoritária.
Há nisso um eco inequívoco de Lula. Desde que ele chegou ao poder, em 2003, trata a Presidência da República com uma espécie de recompensa natural, à qual o PT teria direito por ser… o PT! Sendo ele quem é no partido, mais de uma vez, tratou o cargo como se fosse mesmo matéria de justiça histórica — como se o Brasil lhe devesse essa recompensa. Lula já fez isso no passado: “Olhem, o Serra está querendo o que nos pertence… Olhe, o Alckmin está querendo o que nos pertence…”. Nesta segunda, foi a vez de Dilma.
O que ela pretende caracterizar com essa fala é que todas as críticas de que possa ser alvo derivam do fato de que “há gente querendo o meu [dela] lugar”. Ora, numa democracia, é assim mesmo que funciona: as oposições se organizam para tentar conquistar o poder, que está com os adversários. Com essa fala aparentemente besta, mas metódica, o que se pretende é demonizar os críticos, que seriam, então, meros oportunistas, tentando tomar o que a ela pertence por direito.
Há também a evidente desqualificação dos adversários, que não teriam estudado o Brasil o bastante e estariam, depreende-se, despreparados para governar. Aécio Neves reagiu com uma nota: “A presidente Dilma é sempre muito bem vinda a Minas, como é natural da hospitalidade mineira, mesmo não tendo, mais uma vez, trazido respostas para importantes demandas do nosso Estado que estão sob responsabilidade do governo federal. (…) Se não tivesse se afastado por tantos anos de Minas, a presidente, e não a candidata, talvez estivesse apresentando respostas a essas demandas”. Marina Silva ironizou: “Acho que ela dá um conselho muito bom porque aprender é sempre uma coisa muito boa. Difícil são aqueles que acham que já não têm mais o que aprender e só conseguem ensinar”.
Pois é… Uma resposta tem um desnecessário sotaque regional — e a disputa, não custa lembrar, é nacional. Marina também não é o melhor exemplo, e deu mostras disso de sábado retrasado para cá, de pessoa disposta a aprender. Dilma, por seu turno, está em franca campanha eleitoral faz tempo — como evidencia de modo escancarado o programa “Mais Médicos”… A sucessão já está aí, florescendo num impressionante deserto de ideias.
 Texto publicado originalmente às 21h24 desta segunda
Por Reinaldo Azevedo

domingo, 6 de outubro de 2013

MARINA-CAMPOS 1

05/10/2013
 às 19:38 por Reinaldo Azevedo no Blog em Veja.com

MARINA-CAMPOS 1 – Líder da Rede acerta ao acusar “chavismo” do PT e põe fim ao esforço de Lula para eliminar uma terceira força da disputa de 2014

Comecemos pela maior de todas as evidências: a entrada de Marina Silva no PSB, ainda que pro-tempore, demonstra como estavam errados, na situação e na oposição, os que tentaram definir os times dois anos antes do jogo. A observação vale para Lula e para FHC, para citar os respectivos técnicos do PT e do PSDB. ATENÇÃO! Estamos, neste sábado, a exato um ano do primeiro turno, marcado para o dia 5 de outubro de 2014. E se deu, desde que se fala no assunto, o fato mais importante do processo. Marina acaba de se filiar formalmente ao partido liderado por Eduardo Campos — segundo ela, trata-se do “Plano C” (“C” de Campos, entenderam?). Organizou-se, para tanto, uma cerimônia em que ambos discursaram. Se o observador se deixa levar pelo calor da hora, acaba concluindo que teve início uma marcha cujo desfecho é o triunfo. A tarefa é bem mais difícil do que parece. Chegarei lá em outro post. Destaco, como segundo dado relevantíssimo, uma crítica que Marina fez ao PT. Que dimensão ela vai tomar? É o que veremos no decorrer dos meses.
Na conversa que manteve com seus pares para tomar uma decisão, a ex-senadora, segundo revelaram interlocutores seus à imprensa, teria afirmado:
“Eu fiz esse acerto com o Eduardo Campos porque chegou a um ponto que eu não tinha outra alternativa. E o PSB é um partido sério. A minha briga, neste momento, não é para ser presidente da República; é contra o PT e o chavismo que se instalou no Brasil”.
Se Marina disse mesmo isso — e tudo indica que sim, porque as fontes variam, com conteúdo muito parecido —, então, pela primeira vez, eu a aplaudo. Eu, que não gosto das imprecisões de seus discursos, que considero que ela tem um pé no messianismo, que rejeito certas concepções de política que me parecem um tanto delirantes, afirmo: ela está certa ao apontar as tentações chavistas do petismo. Marina também teria dito que o PT tem mais de dois mil militantes espalhados na rede para desmoralizá-la.
É verdadeira a existência dessa máquina maligna, mas Marina não é seu único alvo. Qualquer força política que tenha a coragem de expressar um pensamento que o partido, ou seus esbirros, considerem contrários a seus interesses, passa a ser alvo dos ataques mais sórdidos: políticos de oposição, imprensa em geral e alguns jornalistas em particular. Nada escapa. A máquina de difamação dolosa, financiada por estatais e por gestões petistas, expressa o auge dos delírios totalitários do partido. Se uma das motivações de Marina para se juntar temporariamente ao PSB é a constatação de que é preciso vencer esse esquema criminoso, então a sua decisão tem o meu respeito e o meu apreço — ainda que eu não goste de quase nada do que ela diz, com especial ênfase para as suas preferências poéticas. Ocorre que a divergência sobre poesia é menos relevante do que as questões substanciais, e combater o chavismo petista é uma dessas questões substanciais.
Essa aliança, que ela chama programática — mas que é, no fundo, pragmática (já digo por quê) —, tem algumas implicações, que precisam ser pensadas.
1: Candidatura de Eduardo Campos ganha densidade
Parece evidente que, no terreno político ao menos — vamos ver como reagem os eleitores —, a candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República ganha densidade política. Em muitos aspectos, Marina lhe fornece um conjunto de valores — coisa fundamental em política, como insisto há bem uns 20 anos — de que ele carecia. Embora o governador de Pernambuco tenha excelente trânsito na imprensa, circule com desenvoltura no mundo empresarial, lidere uma gestão muito bem avaliada em Pernambuco, eu não via, e ninguém via, por onde poderia excitar o imaginário do eleitorado. Dizer apenas que pode fazer melhor do que Dilma, que decide com mais desenvoltura, que é mais competente, bem, tudo isso, convenham, tinha muito pouco apelo.
2: Fratura do bloco hegemônico
Vocês sabem o que eu penso e o quanto lastimo a inexistência de um partido conservador forte no Brasil. Creio que está aí uma das raízes dos nossos desatinos. E esse partido inexiste justamente porque, exceção feita ao PT, as legendas brasileiras ou se perdem no administrativismo sem imaginação ou se entregam a miudezas fisiológicas — inclusive o PSB — sem apelar para conteúdos simbólicos, que marquem a adesão a uma visão de mundo. O PT comete, com ainda mais dedicação, garra e profissionalismo, todos os pecados da política, mas não se descuida dessa mística. Marina é uma liderança que se desgarrou do PT e que sabe operar essa tal esfera dos valores. Tanto é assim que a Rede, do ponto de vista ideológico, é um saco de gatos de várias cores, mas tem essa sacerdotisa que os une. Marina agrega à candidatura de Eduardo Campos um universo simbólico que, até havia pouco, ela não tinha.
Ora, pensemos um pouco: a ex-senadora vem do petismo; Campos, ele próprio, é uma das forças que se agregaram ao projeto petista. O que a eleição de 2014 pode trazer de inequivocamente novo é o racha do atual bloco hegemônico. Um pedaço dele — a frente ampla de esquerda que se formou em 2002, com agregados da direita — se descola da nave-mãe para buscar um voo solo. Se pensarem bem, a última vez em que se deu algo parecido no Brasil foi em 2002, quando o PFL resolveu se divorciar do PSDB. Todos saíram perdendo, muito especialmente o PFL, que, hoje com outro nome, beira a extinção — não só por aquilo, claro, mas foi o ato inicial.
Neste blog, não é a primeira vez que trato da questão. No dia 25 de fevereiro,escrevi aqui:
“Não são poucos os analistas que entendem que o petismo tomou de tal sorte conta da agenda política e construiu tal hegemonia que só será apeado do poder se o bloco hegemônico que lidera for fraturado. Cumpre lembrar que esse foi o episódio inaugural da derrota do PSDB em 2002: o fim da aliança com o PFL. Não estou escrevendo que tal episódio, sozinho, determinou a derrota. O fato é que as coisas começaram a desandar ali…”
3: Campos se fortalece, mas, curiosamente, aumenta o raio de manobra para não disputar
É preciso ver o que está em curso sem algumas travas do convencionalismo. No discurso na tarde deste sábado, Marina foi muito enfática ao afirmar que estava aderindo, por razões estratégicas, ao “Plano C” (Plano Campos). A candidatura do governador, afirmou ela, está posta. Assim, reitere-se, é óbvio que o governador sai fortalecido.
Mas não é menos evidente que falta muito tempo até a eleição. Vamos ver o que vai acontecer, como vão se mover as pesquisas. Noticiou-se que Marina estava indo para o PSB para ser vice na chapa, o que ninguém quis confirmar na solenidade, seguida de entrevista coletiva, neste sábado. O próprio Campos deixou a coisa em aberto — as definições ficam para mais tarde. Ora, quem tem a máquina do PSB nas mãos é ele, não ela. Logo, será candidato se quiser.
Mas digamos que se chegue a junho do ano que vem — vejam quanto tempo falta para a disputa e o quanto erraram PT e PSDB até aqui —, e as pesquisas insistam em apontar Marina com algo na casa dos 20 e poucos por cento dos votos, em segundo lugar, e Campos ali pelos 5% a 7%. A depender da conjuntura, uma Marina titular da candidatura pode ser a diferença entre haver e não haver segundo turno… Vênia máxima ao que parece óbvio, é evidente que o fortalecimento da candidatura de Campos convive perfeitamente bem com a ampliação, por contraste, da possibilidade de que ele não se candidate. Antes de Marina, ele estava entre duas alternativas:
a) candidatar-se mesmo nas circunstâncias mais adversas;
b) recuar, desmoralizando-se.
Agora, ele ganhou uma “Alternativa m”:
a) candidatar-se, mesmo nas circunstâncias mais adversas;
m) abrir mão em favor de Marina, em nome do segundo turno, guardando-se para 2018.
O mais provável é que se candidate, sim, mas não dá para ignorar que tem mais espaço para não disputar, com saída mais do que honrosa — o que antes não existia.
4: Para Dilma, essa união é boa ou ruim?
É evidente que é ruim. Os petistas saudaram entusiasmadamente o “não” do TSE ao partido Rede. Não partilho da ideia de que tenha havido alguma conspiração, mas é certo que os petistas gostaram daquele 6 a 1 no tribunal. Lula vinha atuando freneticamente para impedir também a candidatura Campos. O PT sonhava com a realização de um segundo turno já no primeiro. Num dado momento de sua fala na tarde deste sábado, Campos deu a entender que essa união com Marina acontece num momento em que ele próprio parecia um tanto desanimado. Assim, uma coisa é certa: a adesão de Marina ao PSB elimina uma dúvida do cenário: um dos dois será candidato. Já não há o que Lula possa fazer. Salvo um rompimento da aliança PSB-Rede — e creio que os dois lados serão espertos o bastante para evitá-lo —, já não há o que discutir: haverá, no mínimo, uma candidatura do PT, uma candidatura da oposição e uma candidatura do que Marina chama “posição”: ex-governistas tentando construir uma alternativa.
5: Para Aécio Neves, essa união é boa ou ruim? E para a oposição?
Para a oposição ao petismo (e à sua hegemonia autoritária), é certo que a união Marina-Campos é positiva — como seria, aliás, a eventual saída de José Serra do PSDB para disputar a eleição. Por quê? O argumento é aritmético antes de mais nada. Quando o partido do poder, que manipula uma habilíssima e maligna máquina de propaganda, joga todas as fichas na polarização, fragmentar a disputa é a forma mais inteligente de enfrentar o seu jogo. “Ora, se é bom para a oposição, então também é bom para Aécio, que é da oposição, certo?”
Errado! É um silogismo sem fundamento na realidade porque, nesse caso, desconsidera-se que, no terreno oposicionista, existe também uma disputa e que é preciso chegar em segundo lugar ao menos para ter direito à segunda rodada. Não estou aqui antevendo, de modo nenhum, que a dupla Campos-Marina se consolide em segundo lugar qualquer que seja a composição, mas é evidente que, em tese ao menos, essa possibilidade ganhou corpo.
6: Solenidade em favor da terceira via
É certo que, na solenidade deste sábado, quem mais apanhou foi o governo, foi o petismo em particular. Mais de uma vez, quando Marina e Campos se referiram a um tal “eles”, falavam de um sujeito oculto bastante conhecido. Mas a candidatura do PSDB também esteve na mira. A líder da Rede voltou a criticar a tal “oposição por oposição” e “situação por situação” (análise que considero besta, mas vá lá). O governador contestou o que chamou de “falsa polarização”.
Ainda que o PSB e o PSDB tenham feito uma espécie de pacto de não agressão, a dupla Campos-Marina, a partir deste sábado, convida, oficialmente, o eleitorado a dizer “não” tanto ao candidato do PSDB como à candidata do PT. De resto, é preciso convir que essas forças egressas do governismo conseguiram organizar um ato mais eloquentemente oposicionista do que conseguiu o PSDB nos últimos três anos. Assim, se Dilma não tem motivos para demonstrar satisfação, o mesmo se diga de Aécio, hoje considerado o candidato certo dos tucanos.
Ainda voltarei ao tema. A despeito da energia mobilizada neste sábado e da grandiloquência dos oradores, as dificuldades são imensas, bem maiores do que o entusiasmo dos protagonistas sugeria. De toda sorte, resta da união anunciada neste sábado uma crítica bastante dura ao autoritarismo do PT e do governo. E isso, numa democracia, é sempre saudável.
Por Reinaldo Azevedo

A canoa de Lula nas águas de Heráclito


Gaudêncio Torquato  POLÍTICA

Qual a possibilidade do ex-presidente Luiz Inácio voltar a ser candidato do PT no pleito presidencial de 2014? Tem sido esta a mais recorrente pergunta nos corredores da política, instigada pela acentuada queda da popularidade da presidente Dilma na esteira da avalanche de manifestações que sacodem o país.
A resposta está condicionada a outra questão: é possível à mandatária recuperar a avaliação que detinha junto às classes sociais, no início deste ano, a mais positiva entre os chefes de Executivo da contemporaneidade?
A resposta não é tão simples, pois agrega um conjunto de fatores, alguns imponderáveis, a começar pelo desempenho da economia nos próximos meses.
A ser pífio o desempenho econômico, com efeitos na inflação, particularmente na área de alimentos, a presidente se defrontará com dois grandes riscos: a perda de controle sobre o processo político-administrativo, com a governabilidade caindo abaixo do ponto crítico; e a perda de capacidade de reverter o processo de desacumulação de força.
Sob essas duas situações-limite, é razoável crer na hipótese de que o PT, para preservar seu projeto de poder, convença seu comandante-em-chefe a voltar à liça. A recíproca é verdadeira. Se a economia correr bem nos trilhos, o controle sobre o poder político será resgatado e a boa imagem reconquistada.
O vetor de peso de um governante, é bom lembrar, equivale ao de um balanço. A princípio, ele sobe, depois desce, mantendo-se em nível baixo por bastante tempo, até juntar forças para recuperar a posição anterior.
O perigo é quando o mandatário atinge o ponto de quebra, aproximando-se do extremo do arco da estabilidade; nesse caso, não haverá condições para segurar a queda e acampar o governo em terreno seguro.
Um exemplo clássico de recuperação, segundo o cientista social chileno Carlos Matus, foi o do último governo do presidente Paz Estensoro, da Bolívia, que empreendeu forte programa de ajuste macroeconômico, sob a condução do ministro do Planejamento Sánchez Losada.
A inflação de 30.000% ao ano destruíra as forças do presidente e de seu partido. A eficácia do programa reduziu a alta dos preços a 30% ao ano, o que deu a Losada, em 1993, a maior votação das eleições presidenciais daquele país. Foi uma típica demonstração da teoria do balanço.
Não há comparação, claro, com a atual situação brasileira. Nossa inflação não chega nem a dois dígitos. O exemplo serve para ilustrar a imagem da gangorra, como a que vemos.
Com os preços de alimentos subindo a uma taxa anual entre 14% e 19%, conforme escreveu o economista José Roberto Mendonça de Barros (O Estado, 07/07/2013), é possível prever forte pressão sobre os orçamentos familiares e, se isso ocorrer, expansão da insatisfação social.Nesse caso, o cenário de queda se manteria.
João Santana, o responsável pelo marketing do governo, estipula em quatro meses o tempo para a presidente recuperar o patamar de prestígio. É possível? A resposta vai depender do axioma: “quem é dono da flauta dá o tom”; a dona é a maestrina da orquestra e é chamada de economia. A lábia do marqueteiro aponta, portanto, para as cartas econômicas que serão embaralhadas para o jogo de 2014.
É evidente que, a par de eventuais trunfos a serem obtidos na mesa da economia, há mais dois cinturões do governo para ajustar, sob pena de irreversível débâcle da imagem presidencial: os cinturões político e de serviços públicos.
Se fechar a torneira para as demandas políticas, a presidente ficará sob ameaça de mais derrotas no Parlamento. Caso tampe os ouvidos ao forte clamor das turbas, arrisca-se a cair no despenhadeiro da rejeição social.
Hoje, mostra-se atenta à onda popular, abrindo um conjunto de iniciativas, como a proposição da reforma política e implantação de programas, alguns polêmicos, como importação de médicos e extensão dos cursos de medicina, de 6 para 8 anos.
Caso não consiga ajustar os cinturões da governança aos corpos econômico, político e de serviços sociais, a candidata à reeleição poderá ser induzida a ceder o lugar ao antecessor, plano B com que trabalha parcela da máquina petista. Daí a inevitável pergunta: a volta de Lula seria a solução para o PT prolongar seu projeto de poder? O horizonte é nebuloso. Mas algumas hipóteses são razoáveis.
A primeira é de que voltar é uma forma de retroceder. O percurso liderado pela primeira mulher presidente seria interrompido para propiciar o reingresso em cena do perfil maior do PT. O que não evitaria a sensação de insucesso da estratégia petista.
Outra observação: nem o Brasil nem Luiz Inácio são os mesmos de ontem, o que nos remete à máxima de Heráclito de Éfeso: “um homem não passa duas vezes no mesmo rio”. As águas sempre se renovam. O sol é novo a cada dia.
As duas vezes em que Lula atravessou as águas nacionais formaram e fecharam um ciclo, caracterizado pelo aprofundamento das coalizões partidárias (que resultaram no mensalão), por um compadrio patrimonialista entre sindicalismo e Estado, pelo acesso das massas à mesa do consumo e por um estilo populista de governar, que multiplicou contatos com as massas.
Hoje, Luiz Inácio se agasalha no conforto de palestras internacionais, sob o manto do carisma e do perfil com maior cacife eleitoral. E que tem de cuidar bem da saúde, mesmo exibindo passaporte de seus médicos para voltar a frequentar palanques.
Navegar no Brasil de hoje é, para os políticos, um exercício de reaprendizagem. A pororoca que se espraia pelo país exige um mergulho profundo nas águas que inundam ruas, becos e vielas. Lula é um navegante. Mas o rio está mudando o curso. Pegar uma canoa em direção ao amanhã, apenas com um “baú recheado de coisas de ontem”, pode dar com os burros n’água.


Gaudêncio Torquato, jornalista, professor titular da USP, consultor político e de comunicação. Twitter: @gaudtorquato

O QUE NÃO É AMOR

O QUE NÃO É AMOR

Amor não é
Ultra-som transvaginal
não é  toque retal
nem palpação manual
nem plano plurianual.
O amor não é
o que se noticia
no Jornal Nacional.

Amor não é só gosto de boca
nem só conjunção carnal
Não é só vida de carnaval
Não se pega e não se vê.
Não é factual.
O amor não é real.

O amor não é posse
O amor não torce, nem destorce.
O amor, se não é bom, não é mau.
O amor não tem açúcar nem tem sal.
O amor não se define
com uma só atribuição: bem, mal.
O amor é assim: total.
O amor não é fiscal
não é porteiro
não é professor.
O amor não é doutor
tão pouco policial.

O amor não é
samba no pé
pagode, aché
nem tango, nem lambada.
Mas, o amor é musical.

O amor nunca “se satisfeita”
 Não espreita, não estreita.
O amor não é inveja
nem ciúme passional.
O amor não abasta-se.
Ele apenas basta-se.
Cabe dentro de si.

Mas o amor peleja
encontra rochas no caminho
tira pedras do caminho
abre valas
embrenha-se em matas de espinhos
corta caminhos
entra de mansinho
fica quietinho
vai e vai
chrga no fundo do ninho
aconchega-se.
Simbiosa-se.

E A PAIXAO?
As vezes o amor tem catapultas
aquela paixão do comecinho
aquele fogo morro acima
aquele paiol queimando
aquela gasolinaardendo em chamas.

Ah! Paixão!
Qão bom e ruim que é você:
 água de morro abaixo
fogo de morro acima.
 Aguardente com maconha
adrenalina com serotonina
noradrenalina com tiroxina
loló com cafeína.
 paixão e caixão.
Fatal, passional, paradoxal.
 arrabatador
paixão - carnaval
   forro de São João
comichão de velho-adolescente
 fogo de homem e mulher.

Amor é sopa na colher
mamão com mel.
Paixão é faca no peito
é garfo no pescoço.
Às vezes paixão é poço
é calabouço
écaixao e vela.

Amor é fé
amor é esperança
nunca vingança.
Amor não é caridade, nem benevolência.
Amor é cumplicidade
é fraternidade sublima
renúncia, comunhão,
entrega incondicional.
Para amar não tem idade
Amor é amar.

                                                 E, ponto

MIX DE VARIOS AUTORES

MIX DE VÁRIOS AUTORES


MIX EM CONEXÃO
Por Álvaro Luiz em 1999

A saudade mata a agente
A saudade mata a gente...

Saudade é sentimento.
Provoca emoção
Em  min, em você, em todos nós
 por que não.
Mas...

Eu estou aqui
Vivendo este momento lindo,
Olhando pra vocês
E tantas emoções sentindo

porisso, não há certezas 
pois,
na medicina e no amor...
Nem nunca ,
 nem sempre.

Pra que chorar
Se a vida é mesmo assim
Não chore não.
É melhor sonhar

sonhar ...
No colo da mulher amada
No ouvido do amigo
como disse Roberto Carlos:

Você meu amigo de fé
Meu irmão camarada
Amigo de tantas viagens
De tantas jornadas...

A vida é interrogação. Um piscar de olhos
um raio de luz
Não tem ontem, nem amanhã
A vida é hoje, agora,
já.

E agora José...?

A vida
É fascinação

A vida não é brincadeira não
É arte do encontro
Embora exista tanto desencontro
pela vida.
Há sempre uma mulher a sua espera
Com os olhos cheios de carinho
 E as mãos cheias de perdão

Por que os amantes se encontram

Na mesma praça
No mesmo banco
Com as mesmas flores
E o mesmo Jardim.
Tudo é igual
Mas estou triste
Por que não tenho
Você perto de mim.

Mas... de repente

Alguma coisa acontece
No meu coração
E só quando cruza a Ipiranga
E a Avenida São João

Ou na praia

Há uma onda no mar...
Nada do que foi será
Do jeito que já foi um dia.

Então

Drão, não pense na separação...

Há uma luz.
A salvação...

O que será que será
Que vive suspirando
...............................

Onde encontrar
A salvação?
Quem é a salvação?

Jesus Cristo
Jesus Cristo
Jesus Cristo
Eu estou aqui!


REATIVAÇÃO DO BLOG

                                                    AGORA DE VOLTA COM FORÇA TOTAL

                                   Ficamos alguns dias sem atualizar o blog por que estávamos organizando tecnicamente algo maior ainda - um site. 
                                   O site é o alvarosaudecamamu que já está no ar em fase experimental. Acessem o site, visite-nos, poste seu comentário. Pretendemos atualizar o site e o blog diariamente para que sejamos uma referência na região.
                                   Poderemos ser encontrado ainsda no site da Litoral FM e do Jornal Macrosulnotícias. Em programas semanais na Litoral FM e na Ubatâ FM.
                                   Obrigado.Editor do blog - Alvaro