sábado, 4 de janeiro de 2014

O PILOTO ACIDENTADO

26/07/2012
 às 19:13 \ Tema Livre - Ricardo Setti na Veja.com

Fotos: A fabulosa mansão do campeoníssimo Michael Schumacher


Michael Schumacher, House in Gland
Vista da mansão de Michael Schumacher, em Gland, na Suíça (Foto: Manzoni / xpb.cc)
O sete vezes campeão mundial de Fórmula 1 da FIA é o piloto mais bem pago, com mais vitórias em uma única temporada, e o maior  titular de poles da história — e a lista continua, mas este texto é sobre sua casa em Gland, na Suíça.
Apesar de não ter ainda vencido uma GP desde o seu retorno, em 2009, Schumacher sabe como relaxar e desfrutar o tempo com sua família. Ele e sua mulher Corinna estão reformando a mansão que construíram em 2008: só a casa tem 2200 metros quadrados, com mais de 40 quartos.
Há 29 vagas na garagem, onde Schumacher guarda sua coleção de carros elegantes, esportivos e, claro, caríssimos. A mansão fica às margens do Lago Léman, em Genebra, na Suíça.
Os detalhes são vistos aqui pelas imagens aéreas. Há uma área de pouso de helicóptero e um campo de futebol.
Schumacher acumulou uma formidável quantidade de prêmios ao longo dos anos e a nova casa dispõe de uma sala apenas para troféus com 70 metros de comprimento.
As fotos são da revista Motor Sport.
-Vista da mansão de Michael Schumacher, em Gland, na Suíça (Foto: Manzoni / xpb.cc)
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Michael Schumacher, House in Gland,
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Michael Schumacher, House in Gland,
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Michael Schumacher, House in Gland,
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Michael Schumacher, House in Gland,
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Michael Schumacher, House in Gland,
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Michael Schumacher, House in Gland,
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Michael Schumacher, House in Gland,
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Michael Schumacher, House in Gland,
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Michael Schumacher, House in Gland,
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Michael Schumacher, House in Gland,
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Michael Schumacher, House in Gland,
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Michael Schumacher, House in Gland,
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Michael Schumacher, House in Gland,
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Michael Schumacher, House in Gland,
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Michael e Corinna Schumacher (Foto:  Davenport / xpb.cc)
Michael e Corinna Schumacher (Foto: Davenport / xpb.cc)

USO POLÍTICO DA PETROBRAS

A guerra ideológica na Petrobras

- Na Veja.com


Documentos revelam as tensões ideológicas da Guerra Fria na empresa antes e depois de 64. Ser de esquerda, antes, era bom. Depois passou a ser pecado

Cecília Ritto
SOB A NOVA ORDEM - Geisel, que também foi presidente da Petrobras, visita a refinaria Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul











SOB A NOVA ORDEM - Geisel, que também foi presidente da Petrobras,
visita a refinaria Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul      (Petrobras)
Por iniciativa de integrantes da Comissão da Verdade e valendo-se da entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação, a Petrobras abriu um acervo de documentos que mostram como a empresa sofreu com as tensões ideológicas da Guerra Fria. VEJA teve acesso a eles. Os papéis revelam que a Petrobras foi um microcosmo das profundamente antagônicas visões políticas que dividiam o Brasil em esquerda e direita, entre comunistas e capitalistas, em aliados de Cuba ou dos Estados Unidos. Era a Guerra Fria manifestando-se fortemente, mesmo em um teatro geopolítico distante das armas nucleares que, de lado a lado, tinham poder de destruir o planeta algumas centenas de vezes. Antes de os militares tomarem o poder em 1964, fazia bonito perante os chefes na Petrobras quem se apresentasse como esquerdista. Depois do golpe, ser de esquerda ou líder sindical se tornou motivo de perseguição e demissão.
Os documentos demonstram que os militares agiram com rapidez contra os funcionários ligados à antiga ordem. Eles eram vistos como pessoas perigosas, que podiam prejudicar o funcionamento da empresa, desde aqueles tempos considerada estratégica para o Brasil. Alguns papéis revelam o atropelo da lei na erradicação dos esquerdistas da companhia. Uma comissão de inquérito, a CI-Petrobras, foi posta para funcionar de forma clandestina em um prédio vizinho à sede administrativa, no Rio de Janeiro. Essa comissão se encarregou de investigar empregados e aconselhar demissões.
O conjunto de documentos digitalizados e liberados pela Petrobras é composto de 131 277 microfichas, 426 rolos de microfilme, dezessete livros e catorze pastas, com dossiês, prontuários, relatórios e troca de ofícios entre a cúpula da Petrobras, superintendentes regionais e os chefes dos órgãos de informação. Depois de examinar os documentos, VEJA ouviu depoimentos de funcionários atuais e antigos da empresa e de historiadores. “O Brasil estava ativamente inserido no contexto da Guerra Fria e a Petrobras era um instrumento de poder relevante num mundo dependente do petróleo e sob a amea­ça constante de guerra”, diz o historiador Marco Antonio Villa.
Sob a antiga ordem, no governo esquerdista do presidente João Goulart, a Petrobras, como quase todas as estatais e instituições do país — entre elas até mesmo as Forças Armadas —, foi dominada pelo ativismo sindical de motivação política. A empresa era peça vital nas ações orquestradas pelos esquerdistas radicais e, em consequência disso, sofria com greves e paralisações constantes. Como anotou no fim de 1964, em um relatório de 376 páginas, o general Antônio Luiz de Barros Nunes, chefe da comissão interna de investigação do governo militar: “Parecia ser mérito o empregado alardear-se esquerdista ou comunista. Afirmamos, sem hesitação, que, se mais um pouco demorasse o clima dos ‘direitos excessivos’ do homem, das injunções políticas e da influência de falsos líderes sindicais, a ruína apossar-se-ia da Petrobras”. Nunes era homem de confiança de Ernesto Geisel, que sempre esteve ligado à indústria petrolífera e, ativo integrante do grupo de militares que derrubou João Goulart, tinha forte influência sobre a Petrobras — que ele presidiria mais tarde, em 1969, e de onde só sairia em 1973, para ocupar a Presidência da República.
Em 1964, a Petrobras tinha cerca de 36 000 funcionários. Quantos e quais deles eram vistos como indesejáveis pelos generais? Para mapear os “focos de subversão”, foram destacados dezesseis alunos da Escola de Comando e do Estado-Maior do Exército. Infiltrados clandestinamente nas refinarias e fábricas, eles enviavam para a sede, no Rio, relatos sobre como viam a situação do ponto de vista da segurança e transcrições de conversas que tinham com os suspeitos. Os dados alimentavam um sistema de informação compartilhado pelas maiores patentes das Forças Armadas. Um documento revela com clareza a decisão de infiltrar agentes e agir fora do amparo da lei: “Assim, impediríamos que houvesse divulgação e publicidade em torno de nossas observações, sindicâncias, conclusões e etc.”.
Com a lista em mãos, a comissão interna de investigações começou a “limpeza”, como diziam os próprios militares nos documentos. Em seis meses, foram demitidos 516 funcionários, sob justificativas que iam de subversão a tráfico de armas, corrupção, falta de controle emocional ou desonestidade. Um funcionário demitido foi acusado de ameaçar dinamitar a casa de um diretor da empresa. Eles eram descritos como “elementos relapsos”, “aproveitadores” e “débeis mentais”.
PIONEIROS DA DEVASSA - Os ex-petroleiros Xerxes Campos (à esq.), que ficou 25 dias preso em uma sala da Petrobras, e Abelardo Santos (à dir.), que passou cinco meses, acusado de fazer parte de uma organização que diz não conhecer: seus nomes constavam da primeira lista de “subversivos” produzida pela comissão de investigação
PIONEIROS DA DEVASSA - Os ex-petroleiros Xerxes Campos (à esq.),
que ficou 25 dias preso em uma sala da Petrobras, e Abelardo Santos (à dir.),
 que passou cinco meses, acusado de fazer parte de uma organização que
 diz não conhecer: seus nomes constavam da primeira lista de “subversivos”
produzida pela comissão de investigação
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Contratado em 1958 como assistente técnico em manutenção, Xerxes Campos, sindicalista e militante do então ilegal Partido Comunista, foi um dos primeiros demitidos da Petrobras depois de 1964. Campos respondeu a inquérito policial-militar (o então temido IPM) enquanto ainda dava expediente na Fábrica de Borracha Sintética (Fabor), operada pela Petrobras. Ali, passou 25 dias preso em uma sala igual à que servia de cela para diversos colegas dele também alvo de suspeitas. “Não sabíamos quanto tempo ficaríamos presos e a qualquer momento podíamos ser interrogados. Os militares faziam pressão psicológica e inventavam que algum colega havia nos delatado, mas era tudo um jogo para conseguir informações”, lembra Campos, hoje com 75 anos. Ele foi sumariamente demitido. Nos casos de suspeitos menos notórios, havia uma liturgia típica de regimes ditatoriais a ser seguida antes da dispensa. Em uma completa inversão do processo penal civilizado, exigia-se do acusado que apresentasse provas de sua inocência. “Não eram os militares que comprovavam a acusação. Nós é que tínhamos de provar que não éramos culpados”, diz Abelardo Rosa Santos, de 77 anos, que em 1964 era assistente de superintendente administrativo na Refinaria de Duque de Caxias. Santos foi afastado da empresa dois dias depois do golpe. Durante cinco meses, foi interrogado em diversos órgãos da repressão dentro e fora da Petrobras e chegou a ficar quarenta dias preso. “Diziam que eu fazia parte de um movimento de esquerda que eu nem conhecia.” Demitido em 1968, depois de aceitar integrar a chapa de oposição na eleição da diretoria do sindicato dos petroleiros do Rio de Janeiro, o então auxiliar de escritório Francisco Soriano saiu da Petrobras direto para a luta armada. “Eu me senti um homem marcado e, com o idealismo próprio dos 25 anos, não vi alternativa”, conta ele, agora com 70 anos. No material encaminhado pela Petrobras à Comissão da Verdade e nos depoimentos dos funcionários demitidos não existem evidências de que os investigadores tenham recorrido à violência física para obter informações.
Fotos André Valentim
DIRETO PARA A LURA ARMADA - O sindicalista Francisco Soriano: demitido por montar uma chapa de oposição à do regime, saiu da Petrobras direto para a luta armada

DIRETO PARA A LURA ARMADA - O sindicalista Francisco Soriano:
demitido por montar uma chapa de oposição à do regime,
saiu da Petrobras direto para a luta armada
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Em 31 de março deste ano faz cinquenta anos, meio século, que os militares quebraram a ordem jurídica e constitucional para depor um governo democraticamente eleito. A tendência é que esse evento, parte integrante da história do Brasil, seja tratado como vingança — e não, como deve ser, estudado à luz das circunstâncias políticas mundiais e brasileiras naquele tempo. A iniciativa da Petrobras é, nesse contexto, um alento. Os documentos liberados pela empresa revelam fatos. E fatos não são de esquerda nem de direita. São elementos inegáveis da realidade.


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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

NUTRIÇÃO

Nutrição - na Veja.com


Exagerou na ceia?

 Conheça alimentos para desinchar

Retenção de líquido pode ser consequência de uma dieta com excesso de sódio. 

Para diminuir inchaço, o ideal é consumir comidas que estimulem os rins

Retenção de líquido pode acontecer após alimentação com excesso de sódio, mas há alimentos que ajudam a melhorar o inchaço
Retenção de líquido pode acontecer após alimentação com excesso de sódio, mas há alimentos
 que ajudam a melhorar o inchaço (ThinkStock)
A retenção de líquido pelo corpo pode ser consequência de problemas como alergias, doenças renais e moléstias cardiovasculares. Mas ela também é resultado de um motivo mais simples: a má alimentação, especialmente o consumo excessivo de sódio e álcool — frequente nas festas de fim de ano.
Ao ser ingerido, o sódio se deposita em diversas partes do organismo e suga a água, que vai parar nos vasos sanguíneos localizados logo abaixo da pele, resultando no inchaço e no aumento da pressão arterial. Segundo Celso Cukier, nutrólogo do Hospital Albert Einstein, o sódio pode demorar até três dias para ser eliminado do corpo. Enquanto está no organismo, cada grama é capaz de reter 200 mililitros de água. "É muita coisa", diz o médico. 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo de, no máximo, 2 gramas de sódio por dia, o equivalente a 5 gramas de sal (40% do sal de cozinha é composto por sódio). Mas, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o brasileiro consome, em média, 12 gramas de sal por dia, ou 4,8 gramas de sódio, o dobro do recomendado pela OMS. "Pensando em celebrações como o Natal, em que comemos em grande quantidade de embutidos e enlatados, a ingestão de sal pode chegar a 20 gramas em um dia. Essa quantidade é capaz de reter de 1 a 2 litros de água no corpo", diz Cukier.
Eliminar esse líquido não é o mesmo que emagrecer. "Perder água, músculo ou osso diminui o peso do corpo, mas não significa emagrecimento. Emagrecer é perder gordura. Mesmo assim, certamente diminuir o inchaço faz com que uma pessoa se sinta melhor", diz Luciano Giacaglia, endocrinologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Tudo que estimula o trabalho dos rins contribui para reduzir a retenção de líquido. É o caso de água, chás, vegetais e alimentos diuréticos. Praticar atividade física também ajuda. "Exercitar-se é a melhor maneira de aumentar o fluxo nas veias e vasos linfáticos, propiciando a eliminação do excesso de liquido", diz Giacaglia. 
Conheça alimentos que combatem o inchaço.
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Abacaxi

Tanto a casca quanto a polpa do abacaxi são ricas em uma substância chamada bromelina, que tem ação
 diurética. O alimento, portanto, ajuda o rim a trabalhar e a expulsar do organismo sódio, glicose e líquido retido.
 "Uma pessoa que deseja diminuir o inchaço pode tanto comer a polpa da fruta quanto fazer um chá com
 a sua casca", diz o nutrólogo Celso Cukier.
Fontes: Celso Cukier, nutrólogo do Hospital Albert Einstein; Henrique Suplicy, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBEM) e Metabologia e da Universidade Federal do Paraná; Luciano Giacaglia, endocrinologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O ANO QUE CHEGA


‘Rascunho para 2014′, por Arnaldo Jabor

Publicado no Estadão
ARNALDO JABOR
O ano de 2013 foi muito bom. Muito didático. Aprendemos a ver as coisas pelo lado torto. Ótimo, pois nossa verdade está no avesso. Aprendemos que corrupção no Brasil não é apenas endêmica; é eterna. Ela está encravada na alma de nossos políticos. Corrupção é vida. Foi através dela que construímos esse país, no adultério entre o público e o privado ou entre o “púbico e a privada”. Daí nasceu nosso mundo: estradas rotas, a espantosa construção de Brasília, onde já gastamos trilhões de dólares com passagens aéreas para homens irem ao Planalto implantar perucas ou visitar as amantes e casas de mães joanas.
Aprendemos que apenas 30% da população é realmente alfabetizada. O resto é analfabeto funcional que assina o nome, mas não sabe mais nada. E isso é bom para eleições, pois um povo ignorante é ótimo para eleger canalhas.
No entanto, tudo tem um lado bom, nossa estupidez estimula uma criatividade cultural de axés e garrafinhas, aumenta a fé com milhões de novos evangélicos dando dinheiro para pregadores traficantes, estimula a boçalidade combativa, como as emocionantes batalhas entre torcidas, shows de MMA espontâneos nas arquibancadas. Estupidez é entretenimento. O país já virou novela de suspense. É uma escola. Com a prisão dos mensaleiros, enxergamos que nosso sistema penitenciário é o inferno vivo. Estupradores, chacinadores protestam contra o conforto dos petistas. Finalmente, Zé Dirceu conheceu a luta de classes e foi-nos útil: iluminou-nos sobre o sistema carcerário.
Vimos como a escrotidão e o idealismo são primos. Neste ano aprendemos, por exemplo, que não existe primavera, nem árabe nem brasileira. E isso é mais realista. Chefes de Estado preferem secretamente que o Assad ganhe a guerra contra a Al-Qaeda que já tomou conta. Menos esperança, mais sabedoria. O mundo ganhou um pessimismo iluminado. Graças ao bravo ‘nerd’ Snowden, que revitalizou o Putin da Rússia, o líder da moda que protege a destruição da Síria, prejudicou o Obama e abriu portas para novos ataques do terror. Ou seja, aprendemos que tudo se ramifica em contradições inesperadas, que um bem pode virar um mal e um ‘hacker’ babaca pode mudar o mundo.
Já sabemos que milagres acontecem, mas são logo destruídos. Milhões se ergueram em junho numa aurora política aparente, mais uma ‘primavera’; no entanto, os black blocs, espécie de Al-Qaeda punk de imbecis, vieram nos lembrar da realidade: estupidez e mediocridade política são a clássica realidade brasileira. Enquanto Sarney reina, Agnello Queiroz se agarra no Lula e Jacques Wagner destrói a Bahia, já sabemos que os horrorizados cariocas, chocados com o grande “crime” do helicóptero do Cabral vão eleger a nova catástrofe: nosso Estado governado ou pelo Garotinho, Crivella ou Lindinho. Será o fim do Estado do Rio, durante a olimpíada. Vivam os cariocas, as bestas quadradas do apocalipse! Pedem para ser mortos duas vezes.
Já sabemos também que “a infraestrutura sórdida do país foi culpa dos governos anteriores”. Ao menos foi o que disse a Dilma diante de FHC e do Clinton (que vexame…) depois de 11 anos do PT no poder. Só não sabemos o que o PT fez em 11 anos, mas isso é curiosidade de neoliberais canalhas, o que será corrigido com a reeleição de Dilma, quando teremos uma regulamentação bolivariana nessa mídia conservadora que teima em estragar os prazeres da mentira. Finalmente entendemos que quem fez o Plano Real não foi o FHC, como afirma a mídia de direita; foi o Lula, com preciosa ajuda de Mantega.
Já entendemos que a Dilma é brizolista. Também já sabemos que o Brasil anda na contramão dos próprios velhos países socialistas como China e Vietnã. Como escreveu Baudrillard: “O comunismo hoje desintegrado tornou-se viral, capaz de contaminar o mundo inteiro, não através da ideologia nem do seu modelo de funcionamento, mas através do seu modelo de desfuncionamento e da desestruturação brutal”, vide o novo eixo do mal da A.Latina. Nós somos um bom exemplo desconstrutivo do que era o comunismo.
Já sabemos que privatização se chama hoje concessão, que lucro ainda é crime e que aos poucos os empreendedores que fizeram o país, antes do PT existir, são aceitos ainda com relutância pelos donos do poder.
Já sabemos que nosso ministro da economia é a própria Dilma, pois o Mantega só está lá porque ela manda nele. Por que não bota o Delfim, ou o Palocci que já salvou o Brasil uma vez? Ele é um dos petistas respeitáveis. O outro morreu há pouco ─ Marcelo Déda, raridade, inteligente, com senso de humor e do bem.
Neste ano, aprendemos: a justiça não anda sozinha. Se não fossem dois grandes homens, Ayres Brito e Joaquim Barbosa, nada teria acontecido. Aprendemos que o Mercosul tem de acabar. Aprendemos que o legislativo só funciona no tranco de ameaças do povo. Agora já perderam o medo de novo.
Já sabemos que a política tem sido um espetáculo, como um balé. No Brasil, a política já é um país dentro de outro, com leis próprias, ética própria a que assistimos, impotentes. Os fatos perderam a solidez ─ só temos expectativas. E tudo continuará. Saberemos no ano que vem quantos campos de futebol de floresta foram destruídos por mês nas queimadas da Amazônia, enquanto ecochatos correm nus na Europa, fazendo ridículos protestos contra o efeito estufa; saberemos quantos foram assassinados por dia, com secretários de segurança falando em “forças-tarefa” diante de presídios que nem conseguem bloquear celulares, continuaremos a ouvir vagabundos inúteis falando em “utopias”, bispos dizendo bobagens sobre economia, acadêmicos decepcionados com os ‘cumpanheiros’ sindicalistas, enquanto a República continuará a ser tratada no passado, com as nostalgias masoquistas de tortura, ressurreição de Jango e JK, heranças malditas, ossadas do Araguaia e nenhuma reforma no Estado paralítico e patrimonialista. Não vivemos diante de “acontecimentos”, mas só de “não acontecimentos”.
Repito a piada: não sou pessimista; sou um otimista bem informado.
Continuaremos a não acontecer em 2014.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

BELAS FOTOS

31/12/2013
 às 17:33 \ Tema Livre - Ricardo Setti na Veja.com


FOTOS QUE SÃO OBRA-PRIMA: Fotógrafo José Pinto transforma em livro 30 anos de trabalho e de paixão pela Amazônia

Foto: José Pinto
Folhagem que assumiu a forma de uma borboleta. Lago do Parque Zoobotânico anexo ao Museu Emílio Goeldi, Belém (PA)
Publicado originalmente em 26 de novembro de 2013
campeões de audiência 02Não foi certamente por puro acaso que a primeira imagem a revelar-se diante dos olhos daquele menino de 4 anos, na penumbra mágica do laboratório fotográfico em que entrava pela primeira vez, tivesse sido a de uma árvore.
“Extasiado”, como ele próprio se descreve, ao debruçar-se várias décadas depois sobre essa lembrança, o menino José Pinto veria naquele momento traçados sua vocação e seu destino profissional — ser repórter fotográfico, tal qual o pai, os irmãos e mais tarde os filhos e vários outros parentes — e teria uma espécie de antevisão do que seria seu grande sonho: registrar, com minúcia, carinho e competência, a natureza, a gente e os problemas de sua Amazônia natal.
Este livro esplêndido, resultado de mais de 80 mil quilômetros percorridos no interior da maior floresta tropical do planeta em mais de três décadas de trabalho paciente e primoroso de José Pinto e seu irmão Pedro, é o desfecho natural daquele momento especialíssimo, vivido há mais de 70 anos. Constitui, desde já, um patrimônio do fotojornalismo brasileiro, à altura do colosso que eles tão fielmente retratam.
José Pinto está radicado em São Paulo desde 1952, mas nunca deixou de levar seu Pará no coração e nem de tê-lo na sua objetiva, ao lado dos demais Estados da região Amazônica.  Entre outros veículos da imprensa, trabalhou nas extintas revistas O Cruzeiro e Manchete, teve passagem pela TV como câmera, atuou no extinto jornal Última Hora, em O Estado de S.Paulo e em diferentes revistas da Editora Abril.
O trabalho sobre a Amazônia, a ser transformado num livro de 900 páginas — a obra, ainda sem título definitivo, está sendo negociada com editoras –, é uma realização pessoal, bancada pelo próprio bolso, realizado em férias e intervalos entre empregos, e para cujo financiamento Zé Pinto, como o chamam os amigos, chegou a vender propriedades e um carro. “Nele, procuro mostrar a região sob o prisma do povo amazônico, seu cotidiano e o esforço para conjugar a preservação da floresta com o desenvolvimento sustentado”, diz o fotógrafo.
Embora seja um livro de fotos, José Pinto colheu para a obra mais de 250 depoimentos sobre a região, entre poetas, cientistas, escritores, jornalistas, ambientalistas, militares e dirigentes políticos, entre os quais o antropólogo Darcy Ribeiro, o geógrafo Aziz Ab’Szaber, o escritor Rubem Braga, os sertanistas Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas, o bibliófilo José Mindlin, os ex-presidentes Luís Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso e a presidente Dilma Rousseff.
Desfrutem algumas das fotos magníficas que constarão do livro, selecionadas pela editora de Fotografia de VEJA, Gilda Castral, que confessa: “Sofri muito para escolher algumas em meio a tantas fotos primorosas”.
Foto: José Pinto
Samaumeira, conhecida como a Árvore Sagrada da Amazônia,  Macapá (AP)
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Foto: José Pinto
Cipós retorcidos — o poder da metamorfose amazônica. Em algum ponto do Estado do Amazonas
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Foto: José Pinto
Mangueira, quintal de uma residência, Belém (PA)
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Foto: José Pinto
Samaumeira: com 60 metros de altura, 3,5m de diâmetro, a árvore torna pequena a figura do caboclo que escala sua base
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Foto: José Pinto
Tracajá repousa sobre um jacaré, lago do Parque Zoobotânico anexo ao Museu Emílio Goeldi, Belém
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Foto: José Pinto
Ribeirinha com filhos gêmeos, feliz por escapar da cheia do Rio Amazonas e conseguir abrigo, Bragança (PA)
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Foto: José Pinto
Teia de aranha na Floresta Amazônica, em algum ponto do Estado do Acre
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Foto: José Pinto
A chuva das três da tarde e o Teatro da Paz, Belém
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Foto: José Pinto
Mercado Ver-o-Peso, entreposto pesqueiro e ponto turístico, Belém
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Foto: José Pinto
Trecho do Rio Amazonas, rumo ao Amapá
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Foto: José Pinto
Ossatura do peixe gurijuba. Sua bexiga natatória possui propriedades medicinais e aplicações industriais. Ele é tido pelos ribeirinhos como sacramento da presença de Deus Pai nas águas do rio, pois seus ossos lembram Jesus crucificado
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Foto: José Pinto
O homem amazônico: catador de caranguejos saindo de um manguezal próximo a Belém. Na sua boca, uma “parranga”, ou “porronga” – um cigarro de maconha do tamanho de um charuto
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Foto: José Pinto
Casa de ribeirinhos às margens do Rio Amazonas, cercanias de Macapá
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Foto: José Pinto
Sítio de mineração desativado. O homem passou por aqui, e deixou veias abertas. Serra do Manganês (AP) (Foto: José Pinto)
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Foto: José Pinto
O sertanista Orlando Villas-Bôas, em sua casa em São Paulo, em 2001. Orlando e seus irmãos Cláudio e Leonardo, segundo José Pinto, “estão eternizados nos murmúrios dos rios, das cachoeiras, na generosidade das chuvas”
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Foto: José Pinto
Mãe indígena amamenta o filho, São Gabriel da Cachoeira (AM)
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Foto: José Pinto
A cabocla e os filhos sorriem depois de recolher doações lançadas pelos viajantes do barco “Bom Jesus”, navegando pelo rio Salvadorzinho entre Belém e Macapá
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Foto: José Pinto
O mimetismo é a forma de proteção da borboleta contra os  predadores. Cercanias de Manaus
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Foto: José Pinto
Vitória-Régia, Manaus
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Foto: José Pinto
Festa folclórica do Boi-Galheiro, cercanias de Vigia (PA)
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Foto: José Pinto
Família de ribeirinhos, liderada pela matriarca Gregória, chegam à sua residência, Ananindeua (PA)
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Foto: José Pinto
A ribeirinha Gregória  e a família em sua residência, Ananindeua
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Foto: José Pinto
Uma das filhas da matriarca Gregória, grávida do garoto Douglas, rio Caraparu (PA)
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Foto: José Pinto
O garoto Douglas, agora com 6 anos, puxa a canoa, rio Caraparu
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Foto: José Pinto
Garoto guarani em algum ponto do Pará
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Foto: José Pinto
A Floresta em Chamas. Uma fusão digital de imagens que mostra um jacaré consumido pelo fogo. A criação do artista não rivaliza com a realidade