segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

DNA é totalmente desnecessário

Tema Livre

UM POUCO DE QUASE TUDO
12/01/2014
 às 14:00 \ Tema Livre - Ricardo Setti na Veja.com


FOTOS DIVERTIDAS: quando o exame de DNA é totalmente desnecessário

Não precisa mesmo do exame!
Não precisa mesmo do exame!
Dizem que os filhos aprendem mais com o que observam nos pais do que com aquilo que os pais tentam lhes ensinar.
Filhos, naturalmente, em geral se parecem com seus pais — mais com o pai, mais com a mãe, ou uma mistura de traços e expressões dos dois –, mas esta seleção de fotos extrapola os dois conceitos, e mostra que, em algumas ocasiões, exames de DNA são totalmente descartáveis.
Sugestão do amigo e leitor José Eduardo Ramos de Oliveira.
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domingo, 12 de janeiro de 2014

ARTIGO DE FHC

5/01/2014 às 16:46 \ Opinião - Augusto Nunes na Veja.com
 

‘Mudar o rumo’, um artigo de Fernando Henrique Cardoso

Publicado no Estadão deste domingo
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Ano novo, esperanças de renovação. Mas como? Só se mudarmos o rumo. A começar pela visão sobre o mundo que ressurgirá da crise de 2007-2008. O governo petista, sem o dizer, colocou suas fichas no “declínio do Ocidente”. Da crise surgiria uma nova situação de poder na qual os Brics, o mundo árabe e o que pudesse assemelhar-se ao ex-Terceiro Mundo teriam papel de destaque. A Europa, abatida, faria contraponto aos EUA minguantes.
Não é o que está acontecendo: os americanos saíram à frente, depois de umas quantas estripulias para salvar seu sistema financeiro e afogar o mundo em dólares, e deram uma arrancada forte na produção de energia barata. O mundo árabe, depois da Primavera, continua se estraçalhando entre xiitas, sunitas, militares, seculares, taleban e o que mais seja. A Rússia passou a ser produtora de matérias-primas. Só a China foi capaz de dar ímpeto à sua economia. Provavelmente as próximas décadas serão de “coexistência competitiva” entre os dois gigantes, EUA e China, com partes da Europa integradas ao sistema produtivo americano e com as potências emergentes, inclusive nós, o México, a África do Sul e tantas outras, buscando espaços de integração comercial e produtiva para não perderem relevância.

Nessa ótica, é óbvio que a política externa brasileira precisará mudar de foco, abrir-se ao Pacífico, estreitar relações com os EUA e a Europa, fazer múltiplos acordos comerciais, não temer a concorrência e ajudar o País a se preparar para ela. O Brasil terá de voltar a assumir seu papel na América Latina, hoje diminuído pelo bolivarianismo prevalecente em alguns países e pelo Arco do Pacífico, com o qual nos devemos engajar, pois não deve nem pode ser visto como excludente do Mercosul. Não devemos ficar isolados em nossa região, hesitantes quanto ao bolivarianismo, abraçados às irracionalidades da política argentina, que tomara se reduzam, e pouco preparados em face da investida americana no Pacífico.
Para exportarmos mais e dinamizar nossa produção para o mercado interno a ênfase dada ao consumo precisará ser equilibrada por maior atenção ao aumento da produtividade, sem redução dos programas sociais e das demais iniciativas de integração social. A promoção do aumento da produtividade, no caso, não se restringe ao interior das fábricas, abrange toda a economia e a sociedade. Na fábrica, depende das inovações e do entrosamento com as cadeias produtivas globais, fonte de renovação; na economia, depende de um ousado programa de ampliação e renovação da infraestrutura; e na sociedade, de maior atenção à qualificação das pessoas (educação) e às suas condições de saúde, segurança e transporte. Sem dizer que já é hora de baixar os impostos, sem selecionar setores beneficiários, e de abrir mais a economia, sem temer a competição.
Isso tudo num contexto de fortalecimento das instituições e práticas democráticas e de redefinição das relações entre o governo e a sociedade, entre o Estado e o mercado. Será preciso despolitizar as agências reguladoras, robustecê-las, estabilizar os marcos regulatórios, revigorar e estimular as parcerias público-privadas para investimentos fundamentais. Noutros termos, fazer com competência o que o governo petista paralisou nos últimos dez anos e o atual, de Dilma Rousseff, se vê obrigado a fazer, mas o faz atabalhoadamente, abusando do direito de aprender por ensaios e erros, deixando no ar a impressão de amadorismo e dúvida sobre a estabilidade das regras do jogo. Com isso não se mobilizam no setor privado os investimentos na escala e na velocidade necessárias para o país dar um salto em matéria de infraestrutura e produtividade.
Mordido ainda pelo DNA antiprivatista e estatizante, persiste o governo atual nos erros cometidos na definição do modelo de exploração do pré-sal. A imposição de que a Petrobrás seja operadora única e responda por pelo menos 30% da participação acionária em cada consórcio, somada ao poder de veto dado à PPSA nas decisões dos comitês operacionais, afugenta número maior de interessados nos leilões do pré-sal, reduz o potencial de investimento em sua exploração e diminui os recursos que o Estado poderia obter com decantado regime de partilha. É ruim para a Petrobrás e péssimo para o País.
Além de insistir em erros palmares, o atual governo faz contorcionismo verbal para negar que concessões sejam modalidades de privatização. É patético. Também para negar a realidade se desdobra em explicações sobre a inflação, que só não está fora da meta porque os preços públicos estão artificialmente represados, e sobre a solidez das contas públicas, objeto de declarações e contabilidades oficiais às vezes criativas, não raro desencontradas, em geral divorciadas dos fatos.
Tão necessário quanto recuperar o tempo perdido e acertar o passo nas obras de infraestrutura será desentranhar da máquina pública e, sobretudo, nas empresas estatais (felizmente, nem todas cederam à sanha partidária) os nódulos de interesses privados e/ou partidários que dificultam a eficiência e facilitam a corrupção. Não menos necessário será restabelecer o sentido de serviço público nas áreas sociais, de educação, saúde e reforma agrária, resguardando-as do uso para fins eleitorais, partidários ou corporativos. Só revalorizando a meritocracia e com obsessão pelo cumprimento de metas o Brasil dará o salto que precisa dar na qualidade dos serviços públicos. Com uma carga tributária de 36% do PIB, recursos não faltam. Falta uma cultura de planejamento, cobrança por desempenho e avaliação de resultados, sem “marquetismo”. Ou alguém acredita que, mantido o sistema de cooptação, barganhas generalizadas, corrupção, despreparo administrativo e voluntarismo, enfrentaremos com sucesso o desafio?
É preciso redesenhar a rota do país. Dois terços dos entrevistados em recentes pesquisas eleitorais dizem desejar mudanças no governo. Há um grito parado no ar, um sentimento difuso, mas que está presente. Cabe às oposições expressá-lo e dar-lhe consequências políticas.
É a esperança que tenho para 2014 e são os meus votos para que o ano seja bom.
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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O MESMO LIXO

07/01/2014
 às 16:27 - Reinaldo Azevedo na Veja.com

Alexandre Padilha e Fernando Haddad são a mesma pessoa

Padilha-Haddad (foto Moacyr Lopes Junior - Folhapress)
O ainda ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que já fez a sua mudança para São Paulo. É, não custa ter alguma intimidade com o Estado que ele pretende governar. Sim, é paulista e paulistano, mas sua carreira política se fez bem longe. Era filiado ao PT do… Pará. Lula o escalou para a tarefa, seguindo o figurino Fernando Haddad — antes dos sucessivos desastres do petista na gestão da maior cidade do país.
Os dois posaram (Emir Sader escreve “pousaram”) nesta segunda para fotos, como se vê na imagem acima (foto: Moacyr Lopes Júnior/Folhapress). Como produto político, eles são a mesma pessoa. Não! São a mesmíssima!
Os dois representam uma “novidade” no quadro da disputa eleitoral. Haddad, segundo Lula, foi “o melhor ministro da Educação da história destepaiz” — afirmação que escarnece do bom senso. E Padilha, claro!, “o melhor ministro da Saúde da história destepaiz”, afirmação que vai além do escárnio.
Ambos têm aquele jeito “coxinha” de ser, representando o que chamo de “petista que não suja o shortinho”, com cara de bons moços e de bons genros… Representariam, para ficar numa caracterização que não é minha, um “PT vegetariano”, em oposição aos radicais, ao “PT carnívoro”. Discordo dessa leitura, é claro. Eu a considero até meio herbívora.
Os desastres da gestão de Fernando Haddad em São Paulo derivam de sua incompetência como gestor, mas também de sua ideologia. Como esquecer que esse rapaz chamou, em livro, de “moderno” o sistema soviético? Padilha é o ministro que organizou, à socapa, a vinda dos escravos cubanos para o Brasil, fantasiados de médicos. “Ah, o programa é popular.” Eu não disse o contrário. O Fome Zero é um dos programas mais bem avaliados da gestão Lula sem nunca ter saído do papel. A popularidade de um programa não traduz a sua qualidade.
Ao contrário do que expressam na fachada, ambos representam um PT bem mais ideológico — nefastamente ideológico — do que as vertentes oriundas do sindicalismo, estas, sim, pragmáticas.
Haddad, com sua aparência limpinha, enganou boa parte da classe média. E tentou, depois, enfiar nas suas costas a faca do IPTU escorchante. Só foi contido pela Justiça. E segue punindo os “ricos” (vocês sabem, os ricos de Uno Mille…) com seu “faixismo”.
Agora chegou a vez de oferecer outro docinho aos “reacionários de São Paulo” (como quer Marilena Chaui…). Os dois aparecem ali na foto. Depois do municipal, Lula quer agora um Haddad estadual.
Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

DINHEIRO - UM PEDAÇO DE PAPEL

QUANDO O DINHEIRO NÃO VALE NADA

A entrevista conduzida pela jornalista Eliane Brum narra a trajetória da psicóloga Debora Noal em missões da organização Médicos Sem Fronteiras. Com sua refinada sensibilidade, Eliane escreve que “Debora nos apresenta uma realidade que, não por acaso, pouco chega até nós. Depois de ler sua entrevista, pode parecer difícil acreditar. Mas raras vezes conheci alguém tão leve, transparente e feliz. Os olhos de Debora brilham enquanto conta sua experiência. Nos momentos de maior brutalidade se turvam – e depois voltam a brilhar. Ela não perde nenhuma oportunidade de rir e sua voz é sempre suave. E, quando abraça as pessoas, abraça”.
“Eu lembro quando no Congo eu recebi as diárias, o dinheiro para sobreviver naquele lugar. E eu lembro que eu estava morrendo de fome, e era de tarde já, e não tinha nada para comer na casa. Lembro que eu perguntei: “Não tem nada aí para comer? Estou com muita fome”. E a moça disse: “Teve um ataque ontem, lá no mercado, e não sobrou nada. Não tem nada”. E você se dá conta do valor do dinheiro – um pedaço de papel que é significado puro. E, naquele dia, por exemplo, ele não significava nada. Eu não podia comprar nada com o meu dinheiro. Estava lá, com o dinheiro dentro do bolso e não tinha um grão de arroz para comprar porque não havia paz naquele lugar. E aí você começa a se dar conta de qual é o valor das coisas materiais. Você não come o seu dinheiro. Você não come o seu salário. Há outras coisas ali que têm uma importância e um significado muito maior e que não são coisas físicas. As coisas materiais te dão uma sensação de paz, mas é apenas uma sensação de paz, não é a paz. Não é a saúde, não é a riqueza. É uma sensação de tudo isso. Que pode ser destruída muito rapidamente. Talvez isso tenha ficado mais evidente para mim. Já tinha um significado, mas não tinha essa força que tem hoje”.

BELEZA FOTOGRAFADA

04/01/2014
 às 8:02 \ Feira Livre - Augusto Nunes na Veja.com

Os 125 anos da National Geographic condensados em 125 imagens

tarja-an-melhores-do-ano-2013
PUBLICADO EM 27 DE JULHO
Para celebrar o 125° aniversário, a revista National Geographic decidiu leiloar 125 imagens inseparáveis da sua história. Além de belíssimas fotografias de paragens desconcertantes, animais selvagens em seu habitat e retratos de diferentes etnias, há raridades como negativos Kodachrome originais de Thomas Abercrombie, que trabalhou 50 anos na publicação. O leilão, realizado no site da casa americana Christie’s, termina neste domingo. Veja algumas peças disponíveis:
Auckland, Nova Zelândia, 2007 (foto: Brian J. Skerry)
Cambojanos comemoram a chegada da água potável, 1994 (foto: Annie Griffiths)
Menina tibetana, 2008 (foto: Alison Wright)
Peixe-palhaço em anêmona, Ilhas Fiji, 2010 (foto: Mauricio Handler)
Lantry, Dakota do Sul, 2007 (foto: Melissa Farlow)
San Marcos, Texas, 1982 (foto: George F. Mobley)
Niamey, Nigéria, 2001 (foto: Steve Raymer)
Jou Jou e a doutora Jane Goodall, zoológico de Brazzaville, República do Congo, 1990 (foto: Michael Nichols)
Taiti, Polinésia Francesa, 1962 (foto: Luis Marden)
Cataratas do Iguaçu, 1999 (foto: Pablo Corral Vega)
Luzes da cidade de Catania e a erupção do Monte Etna, Itália, 2001 (foto: Carsten Peter)
Campo de flores na Rota 99, Vale de San Joaquin, Califórnia, 1941 (foto: B. Anthony Stewart)
Havana, Cuba, 2011 (foto: O. Louis Mazzatenta)
Homem da tribo Tuareg, Líbia, 2005 (foto: Bobby Model)
Surfistas na praia de Waikiki, Honolulu, Havaí, 1937 (foto: Richard Hewitt Stewart)
Ilhas Caroline, República do Palau, 1981 (foto: David Doubilet)
Ponte Golden Gate, São Francisco, Califórnia, 1981 (foto: James A. Sugar)
Pôr do sol, Japão, 2006 (foto: Michael S. Yamashita)
Terra vista da Apollo 17 na órbita da Lua, 1973 (foto: NASA)

SÃO TODOS FARINHA DO MESMO SACO

06/01/2014
 às 11:00 \ Direto ao Ponto - Augusto Nunes na Veja.com


Hostilizar os médicos cubanos é um erro: os parteiros da infâmia estão no Planalto

tarja-an-melhores-do-ano-2013
PUBLICADO EM 28 DE AGOSTO
Manifestações de agressiva hostilidade aos médicos cubanos, como a ocorrida em Fortaleza, configuram uma desumanidade e um equívoco político. Os atos de protesto, constata o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, têm de alvejar o governo brasileiro. A importação dos jalecos fabricados na ilha-presídio do Caribe resultou de uma ação tramada pela presidente Dilma Rousseff e pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. São eles os responsáveis pela restauração parcial do regime escravocrata abolido em maio de 1888.
O acordo abjeto foi coisa do Planalto. A ditadura cubana agiu como comparsa. E os doutores despachados para o Brasil não tinham escolha: o regime comunista não oferece opções; ordena.  Muitos deles já abriram os olhos e sonham com a libertação, como a jornalista Yoani Sanchez. Vaiar gente assim é reprisar o berreiro das milícias mobilizadas para silenciar a blogueira que ousa ver as coisas como as coisas são.
Sim, muitos cubanos encaram a vinda para o Brasil como uma honrosa missão a serviço da causa. Mas esses escravos voluntários não sabem o que dizem. Nem imaginam o que é a vida em liberdade. Nunca viram de perto uma democracia genuína. Nasceram e cresceram ouvindo em casa, na escola e nas reuniões do partido único a mesma lengalenga: habitam uma ilha governada por heróis, cercada de vilões capitalistas por todos os lados e sitiada por imperialistas ianques dispostos a tudo para impedir a inauguração do paraíso socialista.
A maioria logo vai compreender que o inferno é lá. Vai constatar que foram todos envolvidos numa missão impossível: tratar da saúde de brasileiros miseráveis contando com as próprias mãos e um estetoscópio. Nos lugares que os esperam, não existem hospitais, equipamentos, enfermeiros, ambulâncias, remédios, instrumentos rudimentares, nada. Traídos pela aliança dos autoritários, dos demagogos e dos ineptos, estão condenados ao fracasso.
As vaias e acusações dirigidas aos cubanos devem ser desviadas para o alvo certo. Os culpados estão em Brasília. São as mesmas figuras que, embora devessem estar há muito tempo na mira dos médicos brasileiros, jamais foram confrontadas com um único e escasso ato de protesto contra as carências crônicas que devastam o sistema de saúde tão festejado pelos inventores do Brasil Maravilha. É no berçário administrado por essa turma que balança a ressurreição da escravatura. São eles os parteiros das infâmia.

MENTIRA (TEXTO)


Mentira na Veja.com - Ciência
 Especial – 04-01-2014


Alguém vai mentir para você hoje


Em ano de eleição as lorotas crescem exponencialmente.
Os estudiosos do assunto dizem que é possível apontar mentirosos.
Saiba como
Raquel Beer e Victor Caputo


De um jeito ou de outro, muito ou pouco, você vai mentir neste ano. Você também vai ouvir muitas mentiras em 2014. Assim é a vida desde que o primeiro hominídeo indicou erradamente o lado onde estava a caça, roubando assim do rival a chance de dividir com ele mais tarde um naco de carne defumada. A mentira é um recurso puramente humano, tão privativo da nossa espécie quanto a fala e a negociação. Nenhum outro ser vivo tem o dom da fala. Nenhum outro conhece os mecanismos da troca. Nem o chimpanzé, nosso primo mais próximo, é capaz de oferecer a outro, digamos, um cacho de bananas com a condição de ganhar um lugar mais aconchegante na árvore. A capacidade de falar, negociar e mentir foi sendo refinada durante a trajetória evolutiva humana até chegar a seu ápice na figura de um político treinado por um marqueteiro em ano eleitoral. Em 2014, portanto, se prepare. Alguém vai tentar pela fala azeitada negociar seu voto em troca de alguma promessa mentirosa.
Obviamente, nem todos os políticos são desonestos. Muitos têm senso moral, ou simplesmente consciência, que, segundo Charles Darwin, pai da teoria da evolução, é a característica que mais claramente nos distingue dos animais. O jogo ardiloso da política é necessário, e sem ele não temos democracia. Mas, em tempo de eleição, é preciso redobrar os cuidados. Dizia o chanceler alemão Otto von Bismarck (1815-1898): “As pessoas nunca mentem tanto quanto depois de uma caçada, durante uma guerra e antes de uma eleição”. Os mais de 22 500 candidatos aos mais diversos cargos eletivos vão se esmerar em ganhar seu voto usando, para isso, aquelas conquistas evolutivas da espécie que eles tão bem dominam. Infelizmente, não existe um método infalível para saber se um político está mentindo. Uma pista é saber se ele já mentiu antes. A probabilidade de um enganador compulsivo tentar ludibriar de novo é altíssima. A boa notícia é que pesquisadores de diversos ramos científicos, da psicobiologia à neurociência, da linguística à psiquiatria, chegaram, finalmente, a métodos altamente precisos para definir quando uma pessoa, político ou não, está mentindo.
É possível detectar qualquer mentira? Teoricamente, sim. A evolução dotou a espécie humana da capacidade de fingir, mas não, com exceção talvez dos poetas e dos grandes atores, de fazê-lo completamente. A mentira tem pernas curtas justamente por ser detectável. Pouca gente se incomoda com a mentira social, aquela facilitadora da convivência, usada para fugir de um jantar indesejável, para recusar um convite ou para justificar um atraso. Quando a praticamos ou quando nos aplicam uma delas não chega a ser nenhuma tragédia, embora esse tipo de mentira seja moralmente tão condenável quanto as enganações mais sérias.
Uma pesquisa conduzida pelo psicólogo Jerald Jellison, da Universidade da Califórnia do Sul, nos Estados Unidos, mostra que cada pessoa ouve 100 mentiras por dia. “Sua mensagem foi direto para a pasta de lixo. Não sei o que aconteceu. Manda de novo, por favor” é uma bastante provável. Outra: “O trânsito estava muito pior do que eu esperava, por isso me atrasei”. Quem abusa desse tipo de saída costuma também prevaricar em questões mais significativas. Dizem os pesquisadores: um terço de todos os currículos profissionais contém pelo menos uma informação inventada. E pior: 83% dos recém-formados tentam enganar o entrevistador quando se candidatam ao primeiro emprego, e não se sentem culpados por isso.
Outro estudo colocou em números uma constatação já feita pelo senso comum. A de que é mais fácil mentir a alguém conhecido ao telefone do que cara a cara. Quase 40% das mentiras são ditas durante as ligações telefônicas e 27% em conversas presenciais. A mesma pesquisa encontrou apenas 21% de mentiras em mensagens instantâneas enviadas por celular ou pelas redes sociais. Somente 14% das mentiras contadas por amigos, parentes e conhecidos chegam pelo e-mail. São coisas da vida. Essas mentiras aborrecem, mas não destroem.
O grande mérito dos especialistas é o aprimoramento dos métodos de detecção da mentira intolerável, que corrói a coesão social e abala os alicerces da vida em comunidade. É a do criminoso que mente para escapar de punições. É a do demagogo que esquece o eleitor no dia seguinte ao da eleição. É a da autoridade municipal que, para não perder o emprego, minimiza os danos de uma enchente ou a gravidade de uma epidemia de meningite.
Tecnicamente, as mentiras podem ser divididas em dois grupos, as ofensivas e as defensivas. As do primeiro grupo são aquelas ditas para afastar uma pessoa ou grupo de pessoas de algo valioso, de modo que o mentiroso usufrua sozinho. São da mesma natureza da mentira do hominídeo que direcionava os outros caçadores para o lado errado. Nesse grupo se enquadram, benignamente, os grandes dribladores do futebol ou do basquete, que fingem uma intenção e executam outra para se livrar de um defensor. Malignamente, aqui estão os falsificadores, os inventores de esquemas de investimentos fajutos e os malandros de todos os calibres. As mentiras defensivas são ainda mais clássicas, como aquela contada pela criança que quebrou um vaso caro e põe a culpa no vento. Mas é também a do assassino que nega ter estado com a vítima no momento em que ela foi morta.
Uma pessoa sem nenhum treino específico é capaz de identificar que está sendo alvo de uma mentira pouco mais da metade das vezes. Os especialistas, usando de todas as suas armas, conseguem apontar um mentiroso em 90% dos casos. Em condições ideais, as taxas de sucesso podem chegar a 95%. O que são essas condições ideais? São aquelas em que a pessoa investigada já é suspeita de ter praticado determinado ato e em que existem outros tipos de prova contra ela, faltando apenas a confissão definitiva. É ideal também que o pesquisador tenha conhecimento da maneira de falar e de outros hábitos do suspeito. Alguém que gagueja durante o interrogatório está mentindo? Em geral, esse é um indício, mas, obviamente, ele não tem validade se a pessoa é gaga de nascença. Também faz parte das condições ideais que o pesquisador ou interrogador nos casos criminais seja da mesma nacionalidade e comungue da mesma cultura do indivíduo suspeito de estar mentindo. Nada, porém, muito distante do senso comum.
O fascinante mesmo e o que elevou as taxas de acerto à fronteira do infalível foram as pesquisas sobre as reações faciais, corporais e verbais que fazem parte da natureza do ser humano. Um dos grandes nomes dessa linha de pesquisa é o psicólogo americano Paul Ekman. Em meados dos anos 60, ele começou a catalogar o que classificou como “microexpressões faciais”. Pelo estudo da contração ou relaxamento dos 43 músculos do rosto, Ekman codificou a gramática facial básica e universal da espécie humana. As sete emoções básicas (medo, tristeza, nojo, alegria, desprezo, surpresa e raiva) podem ser lidas nas expressões faciais dos seres humanos. Darwin já havia percebido essa universalidade nas expressões faciais de tristeza e alegria. Os estudiosos modernos dos antepassados humanos mostraram que, muito antes da fala e da escrita, a linguagem facial e corporal era uma maneira eficiente de se comunicar. A evolução biológica nos primatas chancelou apenas entre os seres humanos a mutação da esclera para a cor branca - deixando-a escura e sem definição nos demais. Por essa razão, nossos olhares são tão expressivos. Só os seres humanos vertem lágrimas. Mas os olhos são ainda mais sutis. Todos nós, e não apenas os grandes romancistas, podemos ler no olhar de homens e mulheres sinais inequívocos de amor, ódio, raiva, alegria, tristeza, triunfo ou desdita, confiança ou desespero.
Ekman ampliou os estudos de Darwin para outras emoções e descobriu como os músculos da face trabalham para produzir cada detalhe das microexpressões. Ele testou sua teoria no Brasil, no Chile, na Argentina, no Japão, nos Estados Unidos e com indivíduos das tribos de Papua-­Nova Guiné. Em todas as culturas as microexpressões básicas podiam ser facilmente associadas às mesmas emoções. Um nativo de Nova Guiné quando quer demonstrar desprezo por alguém ou algo faz um movimento involuntário com os lábios, esticando um lado mais do que o outro, produzindo um desenho assimétrico com a boca. Um brasileiro, argentino ou americano reage da mesma maneira na mesma situação.
Entre 2009 e 2011, Ekman acompanhou as filmagens de um popular seriado americano baseado em sua trajetória, o Lie to Me (em português, Minta para Mim), no qual o protagonista é um interrogador profissional. Tim Roth, excelente ator holly­woodiano que se encarregou do papel principal, foi treinado por Ekman para imitar as expressões faciais que remetem às sete emoções clássicas. O gabarito construído a partir da interpretação de ­Roth é um manual de como flagrar um criminoso. Um criminoso tende a fingir surpresa e depois tristeza ao ser interrogado sobre o destino da vítima. A surpresa é mais fácil de ser encenada. Mas são evidentes para um especialista as microexpressões faciais de uma pessoa que tenta fingir-se de triste quando não está. Só um ator de enorme talento e ainda assim depois de muita prática pode produzir todas as contrações musculares faciais associadas indelevelmente à tristeza.
Disse a VEJA a escritora e pesquisadora americana Pamela Meyer, discípula de Ekman, executiva-chefe da consultoria Calibrate e autora de Liespotting (em tradução livre, Detector de Mentiras): “Um desonesto sempre deixa marcas de sua mentira no próprio rosto, em sua fala, em seu corpo. Quer saber se um político corrupto está mentindo? Faça a ele uma pergunta totalmente inesperada, que o tire da zona de conforto, como um ‘por que o senhor teve de desviar dinheiro público?’, e note se sua face indica desprezo ou raiva, enquanto ele tenta se defender”. Em seu livro, Pamela dá dicas de como perceber quando alguém não é sincero. A mais essencial é procurar discrepâncias entre o que a pessoa diz e como se comporta. Se alguém garante que ama a esposa, mas seu rosto denuncia um sentimento de desprezo, pode se tratar de uma tentativa de enganar o interlocutor. Diz Pamela: “Com muita prática, flagrar a mentira se torna algo automático, como dirigir um carro”.
As técnicas que nasceram com Ekman, aplicadas a episódios históricos como a célebre frase de Richard Nixon em um pronunciamento de TV em 1973 - “eu não sou bandido” -, tentando negar o inegável no escândalo de Watergate (veja os quadros ao longo desta reportagem), são úteis para desmascarar mentiras públicas de personalidades conhecidas. Mas são úteis também no cotidiano - porém por razões bem mais nobres do que se transformar em um implacável caçador de mentiras. Ekman e Pamela Meyer desencorajam as pessoas a se tornarem compulsivos detectores humanos de mentiras. Eles acham que ser capaz de perceber os sinais exteriores da mentira ajuda cada um a ser mais honesto consigo mesmo e com os demais. “Saber quando alguém mente é uma maneira também de aprender e se educar para não mentir. Nós crescemos emocionalmente se somos capazes de identificar a falta de sinceridade de um interlocutor”, diz Pamela Meyer.
Combinadas com o polígrafo, invenção americana da década de 20 do século passado, o mais popular detector de mentiras e ainda em uso pelas polícias dos Estados Unidos, as técnicas mais modernas podem chegar quase à perfeição. Entre elas estão os algoritmos, programas de computador capazes de analisar centenas de milhões de dados e tentar encontrar neles algum padrão significativo. É por meio de um desses algoritmos que o Facebook varre toda a sua rede de mais de 1 bilhão de usuários em busca de perfis falsos. As pessoas que fingem ser quem não são no Facebook podem ser desmascaradas, como os mentirosos do mundo analógico, por emitirem sinais da própria falsidade. Ao contrário dos perfis reais, os falsos tendem a dar explicações copiosas sobre por que eles são quem dizem que são. Eles precisam convencer e, ao se esforçarem muito, se entregam. Isso equivale ao que alguns estudiosos consideram quase uma confissão de mentira, que são frases do tipo: “Para ser totalmente honesto com você...” ou “Nunca revelei isso antes, mas para você eu vou dizer...” ou ainda “Por que razão eu mentiria?... (Que tal para evitar ser condenado ou para salvar seu casamento?)
Estudos sobre mentiras nos chats da internet ainda são incipientes, mas um padrão pelo menos já pode ser considerado uma indicação razoável de que a pessoa do outro lado está mentindo. Esse padrão se revela quando a pessoa diminui a velocidade normal com que tecla. Isso pode ser interpretado como alguém que precisa ganhar tempo, pois está fabricando uma história. A verdade não precisa ser fabricada. A mentira, sim. “Todo mentiroso pego com a guarda baixa precisa ganhar tempo para se recompor e continuar com sua história falsa”, diz Mark Bouton, ex-agente do FBI, autor de um livro sobre sua experiência policial na detecção de mentiras pela análise da linguagem, das expressões faciais e das posturas corporais. Bouton diz que mentir cansa e o mentiroso tem dificuldade de manter a mesma história por longo tempo. “Mentir é estressante, já que é preciso ficar atento, tenso, o tempo inteiro”, concorda a psicóloga Leila Tardivo, da Universidade de São Paulo.
Mark Bouton lista dez sinais que, segundo sua experiência, apareceram associados a alguém decidido a mentir. São eles:
1. Tocar nervosamente a ponta do nariz, a região logo abaixo dos olhos ou cobrir a boca ao falar.
2. Fugir da pergunta e evitar o essencial, dando excesso de detalhes sobre fatos desconectados do ponto central.
3. Alguém que fala com correção, e começa a cometer erros gramaticais grosseiros quando o assunto central da questão é levantado.
4. Afastar a cabeça ou jogar os ombros para trás como reação a uma pergunta direta são movimentos defensivos de quem não quer responder (não necessariamente mentir).
5. Fazer gestos incompatíveis com a emoção descrita revela um esforço mental enorme em não fugir do enredo inventado.
6. Repetir a pergunta que acabou de ser feita integral ou parcialmente é sinal de que a pessoa quer ganhar tempo para construir uma história falsa.
7. Manter todo o tempo os punhos fortemente fechados ou as mãos no bolso é indicador de que a pessoa não quer dizer algo que considera valioso para quem pergunta.
8. Cruzar e descruzar as pernas ou balançá-las descontroladamente são reações defensivas ao mesmo tempo físicas e psicológicas de quem se sentiu incomodado com a pergunta.
9. Quem percebe que está dizendo coisas desconexas ou falsas tende a terminar as frases (mesmo as sérias) com um sorriso e encolher ligeiramente os ombros.
10. Quando uma pessoa está mentindo, ela tende a fechar os olhos por mais tempo, como se procurasse internamente uma resposta.
São provas de que alguém está mentindo? Não. São reações que um interrogador profissional percebeu em pessoas que, mais tarde, por associação com evidências físicas, se mostraram culpadas. Aconselha Bouton: “Não saia por aí gabando-se de ser capaz de flagrar mentirosos”. Bom conselho, pois a experiência humana é rica e diversa demais para ser enquadrada em alguns sinais exteriores. Além disso, a mentira é companheira da espécie humana há tempo demais para se revelar facilmente.

Lorotas desmascaradas na postura e nas palavras
A pedido de VEJA, três reputados especialistas em interrogatório - o brasileiro Wanderson Castilho, dono da consultoria E-NetSecurity e autor do livro Mentira - Um Rosto de Muitas Faces;e as americanas Pamela Meyer, da consultoria Calibrate e autora de Liespotting (em tradução livre, Detector de Mentiras), e Blanca Cobb, psicóloga do Instituto de Linguagem Corporal, em Washington - analisaram vídeos históricos com depoimentos de personagens famosos flagrados em evidente dissimulação corporal ou enganação verbal


Mentira, na Veja.com

04/01/2014 - 06:00 - Veja.com
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Especial

Alguém vai mentir para você hoje

Em ano de eleição as lorotas crescem exponencialmente. 

Os estudiosos do assunto dizem que é possível apontar mentirosos.

 Saiba como

Raquel Beer e Victor Caputo
Homem mentindo
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