quinta-feira, 14 de agosto de 2014

MAIOR VALOR FORA DO BRASIL

14/08/2014
 às 16:03

Reação da imprensa internacional à morte de Campos deveria envergonhar setores da… imprensa brasileira!

Setores consideráveis da imprensa brasileira parecem um tanto surpresos com a reação da imprensa internacional — e até da Casa Branca, como dizem alguns com espanto! — à morte de Eduardo Campos. Todos os grandes veículos de comunicação do mundo  deram espaço e destaque consideráveis à trajetória do ex-governador de Pernambuco que ousou divergir do grupo com o qual se aliara havia muitos anos. Ainda que terceiro colocado na disputa e com chances remotas de se eleger, o candidato do PSB foi saudado, no mais das vezes, como um político operoso e popular e como um democrata. A respeitada The Economist lhe dedicou um de seus obituários, em espaço nobre.
Há, sim, certa surpresa no ar. Não se esperava tanto. E isso dá conta de como o debate político se tornou pobre e bruto no Brasil. Por que a imprensa do mundo democrático dá a Campos uma relevância que ele parecia não ter por aqui? Porque, nesses países, preza-se a divergência como o sal da terra, como o sal da democracia, como o sal de um regime de liberdades públicas.
Entre nós, infelizmente, o debate está acanalhado. Acostumamo-nos a ver a máquina pública a serviço de um governo, de um partido, de milícias de pensamento. Acostumamo-nos a ver palacianos cinzentos operando nas sombras para mudar perfis na Wikipédia. Parece-nos normal que o chefão do maior partido do país faça uma lista negra de jornalistas. Estamos começando a achar razoável que o supremo mandatário do país utilize uma solenidade oficial para fazer campanha eleitoral. Não nos escandalizamos quando um ministro de estado, no uso pleno da máquina pública, ataca adversários não da presidente Dilma, mas da candidata Dilma.
Há um processo de demonização da divergência no Brasil. Ou não vimos uma presidente da República e um ex-presidente a pedir a cabeça de analistas de um banco, o Santander, porque, afinal, não gostaram das afirmações que fizeram? E, acreditem!, muitos jornalistas acharam, sim, razoável a punição. Há dias, fez-se um grande escarcéu porque uma consultoria emitiu críticas duras ao governo. Nas redes sociais, a divergência com a voz oficial é tratada como crime, numa odienta ação de milicianos industriados, que agem a soldo. Até uma subimprensa venal, alimentada com dinheiro público para elogiar o poder e atacar seus críticos, é  vista como coisa normal.
Mas não é assim que a coisa funciona mundo afora, não! Ao contrário. As democracias sabem muito bem que é a divergência que torna um regime democrático, já que, como costumo dizer, todas as tiranias dispõem de governo.
De certo modo, a justa repercussão que a morte de Campos tem no exterior deveria nos envergonhar, a considerar o tratamento que mereceu por aqui enquanto estava vivo. Ainda hoje, um notório colunista governista exalta o homem que “buscava o sonho”. Eu aplaudo, e tinha divergências com ele, o homem que queria outra realidade.
Chegou a hora de a imprensa, boa parte dela ao menos, também repensar o seu papel e se perguntar até onde, com alguma frequência, não serve de esbirro a um projeto de poder que pretende eliminar o contraditório.
Por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

PESAR E MORTES PREMATURAS

MUITO PESAR E MORTES PREMATURAS 

NO INÍCIO DA TARDE
Várias pessoas faleceram num acidente hoje pela manha, ceifando a vida de pais de família trabalhando; dentre essas pessoas estava o ex-governador de Pernambuco e atual candidato do PSB a Presidência da República, Eduardo Campos, que compunha até hoje a chapa com Marina Silva, sua vice. A aeronave explodiu no ar, conforme informações nos canais de televisão, espalhando destroços e fragmento dos corpos por uma enorme área. Não parece que foi apenas o mau tempo o responsável pelo trágico acidente pois tratava-se de uma aeronave moderna com recursos de última geração e dois pilotos experientes. O provável é que varias causas confluíram para a tragédia. A investigação prossegue e teve início imediatamente após o acidente.

Eleições 2014

Morte de Campos faz corrida eleitoral recomeçar do zero

PSB tem 10 dias para indicar um substituto na disputa – inclusive Marina. Mudança no cenário também força Dilma e Aécio a rever seus planos

Eduardo Campos e Marina Silva visitam a comunidade Vila Olavo Costa na cidade de Juiz de Fora (MG)
Eduardo Campos e Marina Silva visitam a comunidade Vila Olavo Costa na cidade de Juiz de Fora (MG)(Divulgação/VEJA)
A classe política brasileira viverá dias de luto com a morte do ex-governador Eduardo Campos, candidato à Presidência da República pelo PSB. Mas, passado esse período, a lacuna deixada por Campos no cenário eleitoral poderá ser preenchida por um nome indicado pelo PSB ou por uma das siglas coligadas – PPS, PHS , PRP, PPL e PSL. Um dos caminhos prováveis é que a candidata à vice, Marina Silva, assuma a cabeça da chapa. Com capital político de 20 milhões de votos nas eleições presidenciais de 2010, Marina filiou-se ao PSB no limite do prazo para não ficar fora das eleições deste ano depois que sua Rede Sustentabilidade não conseguiu o registro na Justiça Eleitoral. Desde então, tentava emplacar o discurso de que juntos formavam uma chapa com dois candidatos, cujo propósito era tentar romper a polarização entre PT e PSDB. É fato que sua eventual entrada na corrida eleitoral como candidata mudará o atual cenário registrado em pesquisas. Segundo as regras eleitorais, a indicação de um novo candidato deve ser feita em até dez dias – para isso, é necessária a realização de uma nova convenção do PSB.

Politicamente, muitas questões ainda terão de ser equacionadas: a principal delas envolve as disputas frequentes entre militantes do PSB e da Rede, que nunca se entenderam na montagem das chapas estaduais nem na divisão de forças da campanha presidencial. Mais: se Marina assumir a candidatura, terá de ter o respaldo de dirigentes do PSB em uma nova convenção. Além disso, é ainda provável que o PPS também cobre lugar na chapa. A operação também envolveria marqueteiros e a manutenção ou não de material de campanha já produzido.

Terceiro colocado nas pesquisas de intenções de voto, e o mais desconhecido pelo eleitorado entre os principais candidatos, Campos fez sua primeira grande aparição na televisão na noite desta terça, em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo. A propaganda eleitoral em cadeia nacional de TV e rádio começará na próxima terça-feira. Ainda era cedo para estimar qual seria o efeito da maior exposição em sua trajetória eleitoral.

Uma coisa, porém, é certa: com ou sem Marina no páreo, o roteiro que parecia traçado nas eleições de 2014 foi rasgado – Dilma e Aécio também terão de refazer seus planos. A própria figura de Marina na campanha também provocaria mudanças na relação entre os candidatos e nas estratégias da propaganda na TV: Campos mantinha uma relação mais amistosa com Aécio e com setores do próprio PT do que Marina.

A disputa presidencial, cujo cenário pouco havia se alterado nas últimas pesquisas, começará do zero.

Reinaldo Azevedo: A realização de um segundo turno sempre foi mais provável com Marina como candidata do PSB do que com Campos. E esse será certamente um fator muito forte a pesar em favor do seu nome. Mas a solução não é nada simples.











AGNELO É UM ARRUDA AINDA NÃO REVELADO

13/08/2014
 às 4:29

O detestado Agnelo, do DF, jura estar vendo uma luz no fim do túnel. Quem sabe seja a candidatura de Rollemberg vindo em sentido contrário…

Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal (PT) e candidato à reeleição, pode achar que está vendo uma luz no fim do túnel. Talvez seja a candidatura do hoje senador Rodrigo Rollemberg, do PSB… Explico. O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal impugnou, por 5 votos a 2, o nome de José Roberto Arruda, do PR. Segundo a mais recente pesquisa Ibope, o ex-governador e ex-presidiário tem 32% das intenções de voto; o atual governador vem em segundo, com 17%, seguido por Rollemberg, com 15%.
A candidatura de Arruda foi impugnada com, base na Lei da Ficha Limpa. Ele foi condenado no dia 9 de julho, em segundo instância, por improbidade administrativa, o que implica perda dos direitos políticos por oito anos. Terá ainda de ressarcir R$ 300 mil aos cofres públicos. Seus advogados vão recorrer ao TSE alegando que o prazo para avaliar a inelegibilidade esgotou-se no dia 5 de julho, limite para o registro das candidaturas. Como, até ali, não havia essa condenação em segunda instância, seu nome não poderia ser impugnado por algo que aconteceu depois.
Não entro no mérito de quem é Arruda e do que ele fez — já escrevi aqui que, por meu gosto, ele estaria na Papuda, mas acho que o argumento faz sentido. É preciso haver um marco temporal. Mas a decisão caberá aos sete ministros do TSE. Até lá, ele pode continuar a fazer campanha.
Também já escrevi aqui que Agnelo Queiroz faz um governo de tal sorte mal avaliado que até um ex-presidiário é considerado favorito. Se Arruda ficar mesmo fora da disputa, crescem enormemente as chances de Rollemberg se eleger governador. Nem tanto pelos votos que ele têm, mas sobretudo pelos votos que Agnelo não têm. Segundo a pesquisa Ibope, registrada no TSE sob o número 267/2014, divulgada no dia 30 de julho, nada menos de 48% dizem que não votariam no petista de jeito nenhum. A rejeição a Arruda é de 32%, e a Rollemberg, de apenas 7%. Vale dizer: qualquer adversário tem uma chance enorme de se eleger se disputar o segundo turno com Agnelo.
O PT está mal no Distrito Federal. Seu candidato ao Senado. Gerado Magela, está com 16% das intenções de voto, tecnicamente empatado com Gim Argello, do PTB, com 13%. Em primeiro, com 31%, está Reguffe, do PDT.
Para registro: o TRE-DF também impugnou a candidatura de Jaqueline Roriz (PMN), filha de Joaquim Roriz, à Câmara Federal. Ela foi igualomente condenada por improbidade administrativa.
Por Reinaldo Azevedo
12/08/2014
 às 21:48

terça-feira, 12 de agosto de 2014

TDAH

Tratamento

Consumo de Ritalina no Brasil cresce 775% em dez anos

Medicamento é indicado para tratar transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), principalmente em crianças e adolescentes

TDAH: a droga metilfenidato ajuda no tratamento do transtorno
TDAH: a droga metilfenidato ajuda no tratamento do transtorno (Thinkstock Images/VEJA)
Em dez anos, a importação e a produção de metilfenidato — medicamento mais conhecido como Ritalina, um de seus nomes comerciais — cresceram 373% no Brasil. A maior disponibilidade do remédio no mercado nacional impulsionou um aumento de 775% no consumo da droga, usada no tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Os dados fazem parte de uma pesquisa do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).
O metilfenidato é usado principalmente em crianças e adolescentes, os mais afetados pelo TDAH. Para especialistas, a alta no uso do medicamento reflete maior conhecimento da doença e aumento de diagnósticos, mas também levanta o alerta de uso indevido da substância, inclusive por pessoas saudáveis que buscam aumentar o rendimento em atividades intelectuais.
A autora do estudo, a psicóloga Denise Barros, compilou os dados dos relatórios anuais sobre substâncias psicotrópicas da Junta Internacional de Controle de Narcóticos, órgão vinculado às Nações Unidas. De acordo com o levantamento, o volume de metilfenidato importado pelo Brasil ou produzido em território nacional passou de 122 quilos em 2003 para 578 quilos em 2012 (alta de 373%).
A pesquisadora cruzou os dados da produção e importação e do estoque acumulado em cada ano para chegar aos prováveis índices anuais de consumo. De acordo com o levantamento, foram 94 quilos consumidos em 2003 contra 875 quilos em 2012 (crescimento de 775%).
Venda — Dados mais recentes obtidos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmam a tendência de alta. Segundo o órgão, o número de caixas de metilfenidato vendidas no Brasil passou de 2,1 milhões em 2010 para 2,6 milhões em 2013.
"Houve um aumento da divulgação da doença e do número de pessoas que passaram a ter acesso ao tratamento”, diz Denise Barros. No entanto, segundo a pesquisadora, há casos de adultos sem o transtorno que tomam o metilfenidato para melhorar a concentração e o foco nos estudos. "Isso é comum entre pessoas que vão prestar concursos públicos ou vestibulares, além de estudantes de Medicina. Pouco se fala sobre isso no Brasil, mas nos Estados Unidos e em algumas partes da Europa, esse uso inadequado já é tratado como um problema de saúde pública."
Sem tratamento — Para o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva, apesar da alta no consumo, ainda há milhares de brasileiros com TDAH sem tratamento. "Com o crescimento do acesso à medicação, estamos talvez começando a adequar a proporção de pessoas com o transtorno e pacientes tratados. Mas hoje, infelizmente, ainda temos um subtratamento de TDAH”. Um estudo publicado em 2012 na Revista Brasileira de Psiquiatria apontou que apenas 19% dos brasileiros com o transtorno faziam o tratamento com medicação. 

Sinais de TDAH

1 de 8

Distração


domingo, 10 de agosto de 2014

LEVEZA E BELEZA

09/08/2014
 às 8:11 \ Feira Livre

Pra não dizer que não falei das flores

Nesta semana, a coluna apresenta aos leitores uma amostra da obra de Limzy, como se tornou conhecida a artista plástica Lim Zhi Wei. Nascida na Malásia, Limzy se mudou aos 16 anos para Singapura, onde formou-se na Academia de Belas Artes de Nanyang. No projeto Love Limzy, ela pinta – ou monta – telas com elementos da natureza encontrados no seu cotidiano. As flores são suas favoritas. Não deixe de ver esse hino à delicadeza.
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sábado, 9 de agosto de 2014

SÁBADO COM VINICIUS DE MORAES

09/08/2014
 às 15:36 \ Feira Livre

Porque hoje é sábado

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Dia da Criação

Vinicius de Moraes
I
Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz para nos salvar.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.
Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.
II
Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado.
Há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado.
Há um homem rico que se mata
Porque hoje é sábado.
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado.
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado.
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado.
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado.
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado.
Há um grande espírito de porco
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado.
Há criancinhas que não comem
Porque hoje é sábado.
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado.
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado.
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado.
Há um tensão inusitada
Porque hoje é sábado.
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado.
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado.
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado.
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado.
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado.
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado.
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado.
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado.
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado.
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado.
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado.
Há a comemoração fantástica
Porque hoje é sábado.
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado.
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado.
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado.
III
Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia,
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.

A CONTABILIDADE DA CORRUPÇÃO

09/08/2014
 às 16:55

Oposição quer contadora de Youssef na CPMI da Petrobras

Meire Poza – "O Beto (Youssef) lavava o dinheiro para as empreiteiras e repassava depois aos políticos e aos partidos. Era mala de dinheiro pra lá e pra cá o tempo todo." (Jefferson Coppola/VEJA)
Meire Poza – “O Beto (Youssef) lavava o dinheiro para as empreiteiras e repassava depois aos políticos e aos partidos. Era mala de dinheiro pra lá e pra cá o tempo todo.”(Foto: Jefferson Coppola/VEJA)
Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
A oposição quer que Meire Poza, a contadora de Alberto Yousseff, compareça à CPMI da Petrobras e à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara para falar sobre as engrenagens da quadrilha que girava em torno do doleiro pego na Operação Lava Jato da Polícia Federal. Meire revela detalhes do esquema de propina em reportagem publicada por VEJA nesta semana. A contadora confirma que parlamentares como o deputado André Vargas (PT-PR) e o senador Fernando Collor (PTB-AL) se aliaram ao doleiro em um esquema de lavagem de dinheiro que tinha prefeituras petistas como uma de suas principais fontes de recursos. Ela também relatou como empreiteiras que mantém contrato com estatais e órgãos públicos repassavam dinheiro para o esquema.
O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), diz que o partido vai apresentar os requerimentos na próxima semana, em conjunto com os outros partidos da oposição. O partido promete tratar o tema como prioridade. “É uma testemunha-bomba que atesta todas as evidências, muito claras, do envolvimento de Youssef com a Petrobras, parlamentares e personagens importantes do governo federal”, diz Mendonça Filho. O PPS também cobra que a contadora seja ouvida pelo Congresso. “Esta mulher conheceu, como poucos, a arquitetura e a operação do sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que atingiu 10 bilhões de reais”, diz o líder do partido na Câmara, Rubens Bueno (PR), que também integra a CPMI.
A Câmara dos Deputados faz um esforço concentrado na primeira semana de setembro, quando os parlamentares poderiam tomar o depoimento da contadora na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. Já a CPMI da Petrobras não teve os trabalhos interrompidos durante o período eleitoral e, em tese, poderia ouvir Meire Poza antes disso. O presidente do colegiado, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), calcula que a contadora pode ser ouvida daqui a três semanas: “Temos depoimentos marcados para as duas próximas semanas. Se o requerimento for apresentado, será votado como qualquer outro”, afirma.
Tanto na Comissão de Fiscalização Financeira quanto na CPMI da Petrobras, Meire não seria obrigada a comparecer porque não ocupa cargo público. Ela iria ao Congresso na condição de convidada. O doleiro Alberto Youssef foi preso na operação Lava Jato, da Polícia Federal. Ele era figura central em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro abastecido com recursos públicos desviados.
No bolso de Youssef
Por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

FRAUDE NA CPI

6/08/2014
 às 4:58

No esforço de combater as evidências de fraude na CPI, petistas partem para a delinquência política. A propósito: cadê o ar da Graça?

A esta altura, está claro que a farsa armada na CPI da Petrobras no Senado, que envolveu parlamentares do PT, o governo e o comando da Petrobras, constitui uma grave agressão à democracia, ao Poder Legislativo e ao estado de direito. Tenham clara uma coisa, leitores: da forma como se deu a tramoia, estamos diante de algo inédito. O PT desce a um novo patamar da degradação institucional a que submete o país há 12 anos. A direção do Senado mandou abrir uma sindicância para apurar o caso. Nesta terça, surgiram novas evidências de que o comando da operação esteve mesmo no Palácio do Planalto, mais especificamente aos cuidados de dois assessores diretos do ministro Ricardo Berzoini, da Secretaria de Relações Institucionais: Luiz Azevedo e Paulo Argenta. Tudo conforme denunciou reportagem da VEJA, que veio a público no sábado.
Graça Foster, presidente da Petrobras, uma das beneficiárias da tramoia e em cujo gabinete se deu uma das reuniões que cuidaram da farsa, está muda. E impressionam tanto o discurso como o comportamento indecente dos petistas nesta terça-feira. Contra todas as evidências, contra os fatos, o senador Humberto Costa (PE), líder do PT, chamou a denúncia de “ajuntamento de tolices” e afirmou ser “absolutamente natural que haja trocas de informações institucionais entre as assessorias da CPI e as lideranças dos partidos”. Trata-se apenas de uma mentira. O que se viu não foram “trocas de informações”, mas fornecimento prévio das perguntas, com gabarito e tudo. José Pimentel (PT-CE), líder do governo no Congresso e relator da CPI, repetiu a conversa mole da Petrobras e afirmou que as perguntas já estavam no plano de trabalho da CPI e eram públicas. Infelizmente para a decência do Senado, isso também é mentira.
Mas ninguém, ninguém mesmo!, ofendeu o Congresso com tanta determinação como o governador da Bahia, Jaques Wagner, também petista. Um dos investigados na CPI é José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e hoje seu secretário. Segundo Wagner, a “CPI é cena. Não é um delegado perguntando. É um monte de deputado que sabe que está sendo fotografado e filmado e quer fazer aquela pergunta-chave”. Atentando contra uma das prerrogativas do Poder Legislativo, prevista na Constituição, disse ainda o petista: “Deputado não é treinado para investigar, mas para fazer julgamento político. Quem investiga é a Polícia Federal e Ministério Público, que são treinados para isso”.
Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, também decidiu refletir. Disse: “Só haveria farsa se houvesse a impossibilidade de qualquer senador fazer a pergunta que quisesse”. É um despautério. O senador fazer a pergunta que quiser é justamente a prerrogativa da qual os farsantes abriram mão. Observem que ele nem se ocupou de negar a tramoia.
A fala de Wagner não deixa de ser emblemática do que o PT fez com as comissões parlamentares de inquérito nestes 12 anos de poder — justamente o partido que tanto se beneficiou delas no passado: transformou-as em farsas. E, a depender de Wagner, serão extintas. A menos que seja para a legenda se vingar de adversários.
E foi o que fez o PT. Decidiu se apressar para instalar a CPI do Metrô em São Paulo. Que gente! O partido pretende que a mesma maioria empregada para fraudar a CPI da Petrobras seja usada agora para atacar os tucanos. Em qualquer dos dois casos, não quer investigar nada, mas fazer baixa política. A propósito, pergunto: a CPI petista vai investigar as evidências de cartel, que estão sendo apuradas até no Cade — hoje uma repartição da legenda — na construção dos metrôs de Belo Horizonte e Porto Alegre, ambos tocados por estatais federais, controladas pelo partido?
Encerro com um enigma: o tempo dirá se o PT ainda não vai se arrepender de ter criado essa CPI do Metrô. É esperar para ver.
Por Reinaldo Azevedo

terça-feira, 5 de agosto de 2014

FARSA ELEITORAL



  1. Alvaro Camamu
    há 46 minutos
    Meter a mão no dinheiro público dá cadeia. E os ladrões que compram cabos eleitorais com dinheiro público? Ao contrário de se dizer que "ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão" é preciso acreditar que "quem recepta rouba roubando está". Para que serve a cadeia?
     compartilhamentosCurtirQuando, um candidato é barrado pelo TRE e insiste em fazer campanha, há na verdade a arquitetura de uma FARSA se desenhando. Lá na frente, quando todos os recursos forem negados, se constatará um estelionato eleitoral pela tentativa de transferência de votos para um parente ou outro tipo de receptador. Candidato barrado pelo TCM e TRE é um corrupto que foi pego pelas malhas da justiça. Candidato que insiste na campanha, mesmo sendo barrado, é FARSANTE.