UM CONGRESSO MAÇÔNICO, OU: TURISMO APENAS?
Por Alvaro
Os interesses de uma causa defendida por um conjunto de
ideias é a razão de ser de um congresso. Quando pessoas se reúnem num congresso
o objetivo é rever atitudes e práticas, refletir, repensar, debater. Se os
pontos de vista são coincidentes, se as posturas são unânimes, se as teses não
se diferenciam, não há nenhuma razão para organização tão complexa, tão onerosa,
tão difícil de planejar. O mundo não cria o novo, não descobre novos caminhos, apenas
com tapinhas nas costas, continências e mordaças impostas. O debate franco é típico da democracia. O debate se impõe num congresso maçônico como caminho para que a Ordem não siga sem avanços.
Por isso, a Maçonaria na Sétima Região passará por seu
grande teste – escolher entre a mesmice que só interessa aos dominadores de
sempre, que confundem as oficinas com seu próprio quintal, ou discutir pontos de
vista confrontantes para correr o saudável risco de renovar as práticas, oxigenando
o ambiente enferrujado pela oxidação do salitre da dominação que pretende ser eterna. Não há eternidade onde existe gente, onde pessoas dão vida a instituições. Só não é possível se aceitar que as instituições sejam usadas para nenhum outro fim, muito menos para proveito próprio de quem quer que seja. Não pode ser usada para nenhuma outra finalidade que não seja sua própria proposta contida nas bases legais que edificam essa mesma instituição.
Como
preparar novas lideranças fora do contexto do debate franco, da liberdade para
externar pontos de vista? Como? Como crescer com medo de ser adulto? Como? Serão sempre os mesmos no palco, aqueles que não abrem mãos das rédeas da dominação? Alguém quer esconder alguma coisa quando foge do debate?
Vamos ou não vamos abrir uma janela para olhar o mundo lá fora? Vamos ou não
vamos permitir que os ares de fora provoquem os que estarão dentro das salas cheias e refrigeradas? Como permanecer confortavelmente sentados, ouvindo
os palestrantes como se múmias fossem, aplaudindo sempre, ao final, sem nada acrescentar nem contradizer, qualquer que seja a
tese defendida. Liberdade, irmãos! Ou não somos Maçons? Livres...
A Ordem nunca teve performance indolente, nunca foi estática. É provável que todos conheçam pelo menos um pouco da história da Maçonaria no mundo. Sua postura, embora alguns vendam a inverdade ou camuflem a verdade ao seu bel prazer, sempre foi altamente dinâmica e suas incursões avançaram sem medo de margear o terreno fértil do risco de um embate franco, que deve prevalecer. Claro, um debate que, ocorrendo numa atmosfera protegida pela própria organização e amortecimento do ambiente fraterno na Ordem Maçônica, seja conduzido por alguma liderança com postura de magistrado nunca com chicote de coronel. Mesmo por que, o Brasil de hoje exige o debate franco, teses postas á mesa para serem exaustivamente confrontadas e negociadas democraticamente e, posturas claras e firmes. Sem arrogância, sem prepotência.
O congresso é o momento de se avaliar também as Lojas Maçônicas da Sétima Região para verificar se os irmãos que não conseguem estabelecer o diálogo com instâncias superiores não estão sendo amordaçados no seu direito de participar incluindo-se no debate de idéias. As vezes, os Mações tem posturas que merecem reprimendas, ás vezes as Oficinas como um todo é que precisam ser avaliadas nas suas práticas. O Congresso Estadual Maçônico é o momento propício para avaliar como estão as Lojas Maçônicas da Região. Qual o nível de satisfação dos seus afiliados. Como está sendo encaminhado o debate nas sessões. Se está havendo cerceamento de liberdade. Por que não avaliar?
Quem tem medo da verdade deve aproveitar a oportunidade, para, apenas fazer turismo. O que não é mau negócio, tratando-se da bela Ilhéus, que no momento não está tão bem cuidada como deveria, mas é sempre um monumento, um cartão postal!
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