terça-feira, 5 de novembro de 2013

CONGRESSO OU TURISMO APENAS

UM CONGRESSO MAÇÔNICO, OU: TURISMO APENAS?

Por Alvaro

Os interesses de uma causa defendida por um conjunto de ideias é a razão de ser de um congresso. Quando pessoas se reúnem num congresso o objetivo é rever atitudes e práticas, refletir, repensar, debater. Se os pontos de vista são coincidentes, se as posturas são unânimes, se as teses não se diferenciam, não há nenhuma razão para organização tão complexa, tão onerosa, tão difícil de planejar. O mundo não cria o novo, não descobre novos caminhos, apenas com tapinhas nas costas, continências e mordaças impostas. O debate franco é típico da democracia. O debate se impõe num congresso maçônico como caminho para que a Ordem não siga sem avanços. 

Por isso, a Maçonaria na Sétima Região passará por seu grande teste – escolher entre a mesmice que só interessa aos dominadores de sempre, que confundem as oficinas com seu próprio quintal, ou discutir pontos de vista confrontantes para correr o saudável risco de renovar as práticas, oxigenando o ambiente enferrujado pela oxidação do salitre da dominação que pretende ser eterna. Não há eternidade onde existe gente, onde pessoas dão vida a instituições. Só não é possível se aceitar que as instituições sejam usadas para nenhum outro fim, muito menos para proveito próprio de quem quer que seja. Não  pode ser usada para nenhuma outra finalidade que não seja sua própria proposta contida nas bases legais que edificam essa mesma instituição.

 Como preparar novas lideranças fora do contexto do debate franco, da liberdade para externar pontos de vista? Como? Como crescer com medo de ser adulto? Como? Serão sempre os mesmos no palco, aqueles que não abrem mãos das rédeas da dominação? Alguém quer esconder alguma coisa quando foge do debate? Vamos ou não vamos abrir uma janela para olhar o mundo lá fora? Vamos ou não vamos permitir que os ares de fora provoquem  os que estarão dentro das salas cheias e refrigeradas?   Como permanecer confortavelmente sentados, ouvindo os palestrantes como se múmias fossem, aplaudindo sempre, ao final, sem nada acrescentar nem contradizer, qualquer que seja a tese defendida. Liberdade, irmãos! Ou não somos Maçons? Livres...

A realização de um Congresso Maçônico não se resume a uma oração de amém, em nome da fraternidade imposta e forjada. Não pode haver a uma cortina de fumaça que esconde poeiras, porventura existentes debaixo do tapete das Lojas na Região. E se há necessidade do debate, também sobre as Lojas da região, no Congresso, pressupõem-se a dificuldade ou ate a interdição do debate dentro de alguma Loja. Se a plateia silenciosa sempre é colocada à prova de sua participação ativa mas não reage, se sempre recebe ordens sem refletir sobre o conteúdo das obrigações, se sempre tem seus caminhos apontados e vigiados por algum mandão que quer impedir seu progresso por que é seu desafeto, algo não está muito saudável dentro das lojas. Por que não há  o debate franco, sem medo de ser feliz? Alguém, quantos tem medo de fazer a saudável provocação para o diálogo?  Todos que ocupam cargos, porventura, são donos da verdade absoluta e portanto adeptos do monólogo institucional?

A Ordem nunca teve performance indolente, nunca foi estática. É provável que todos conheçam pelo menos um pouco da história da Maçonaria no mundo. Sua postura, embora alguns vendam a inverdade ou camuflem a verdade ao seu bel prazer, sempre foi altamente dinâmica e suas incursões avançaram sem medo de margear o terreno fértil do risco de um embate franco,  que deve prevalecer. Claro, um debate que, ocorrendo  numa atmosfera protegida pela própria organização e amortecimento do ambiente fraterno na Ordem Maçônica, seja conduzido por alguma liderança com postura de magistrado nunca com chicote de coronel. Mesmo por que, o Brasil de hoje exige o debate franco, teses postas á mesa para serem exaustivamente confrontadas e negociadas democraticamente e, posturas claras e firmes. Sem arrogância, sem prepotência.

O congresso é o momento de se avaliar também as Lojas Maçônicas da Sétima Região para verificar se os irmãos que não conseguem estabelecer o diálogo com instâncias superiores não estão sendo amordaçados no seu direito de participar incluindo-se no debate de idéias. As vezes, os Mações tem posturas que merecem reprimendas, ás vezes as Oficinas como um todo é que precisam ser avaliadas nas suas práticas. O Congresso Estadual Maçônico é o momento propício para avaliar como estão as Lojas Maçônicas da Região. Qual o nível de satisfação dos seus afiliados. Como está sendo encaminhado o debate nas sessões. Se está havendo cerceamento de liberdade. Por que não avaliar?

Quem tem medo da verdade deve aproveitar a oportunidade, para, apenas fazer turismo.  O que não é mau negócio, tratando-se da bela Ilhéus, que no momento não está tão bem cuidada como deveria, mas é sempre um monumento, um cartão postal!

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