DOMINADOS X DOMINADORES
Por Alvaro
O teórico
italiano, Gramsci, propôs que fossem dispensados armas e exércitos, enquanto os
ditadores da esquerda, ou da direita, gastavam fortunas para preparar exércitos
com a finalidade de invadir países e dominar povos. A proposta feita por
Gramsci foi diferente da de Napoleão, Hitler e Stalin. Gramsci foi ao cerne da
questão - a verdadeira dominação de um povo só se dá pela vertente cultural.
Quando um povo é dominado à força, e o poder imposto com armas em punho, em
seguida, há de se fazer a dominação cultural para que a verdadeira revolução
tenha consequência. Intuíram, Gramsci e também Fabiano, que se alargando o
tempo, a perder de vista, pode-se conseguir dispensar a primeira etapa - a
dominação com a força e com as armas - e vagarosamente executar a segunda
etapa, ou seja, a dominação cultural como única forma de se apropriar da alma
de um povo, impondo assim o "genocídio cultural".
Em vários
países, o Brasil é um deles, a opção gramsciana e fabiana, foi colocada em
prática a partir do Foro de São Paulo, quando as esquerdas latino-americanas
acordaram que não havia clima nesse
continente para a revolução armada. Surgiu então a proposta de dominação
cultural, seguindo os preceitos de Gramsci e Fabiano. Foi essa guinada,
principalmente com o documento histórico “Carta aos Brasileiros”, que o PT
abdicou da radicalidade e ganhou a primeira eleição, atraindo para si em termos
de votos parte da chamada elite e de eleitores mais conservadores. Hoje sabemos
que na academia, nos sindicatos, em parte da imprensa, nas estatais, em parte
do legislativo, e até em uma parcela do judiciário, os soldados do exército
forjado no Foro de São Paulo, põe em prática o plano lá elaborado para
dominação cultural, renunciando à revolução armada.
O Brasil,
nas três últimas décadas, trocou o imperialismo cultural americano por outro de
concepção marxista e leninista, cujos líderes na América Latina são
representados por Lula, Hugo Chaves e agora seu sucessor Nicolas Maduro,
Cristhina Khistner, e Evo Morales. Até de Barack Obama, nos Estados Unidos, há
dúvidas quanto as suas intenções. Obama serve a quem? O primeiro presidente
negro americano, aquele que disse "nós podemos, está a serviço de quais
forças ocultas? Na dominação cultural o professor é infectado pelo vírus dos
dominadores, e este, por sua vez, infecta alguns alunos, que através de lavagem
cerebral feita nos grêmios estudantis e nas salas de aula, infectam também
outros estudantes. Assim ocorre sucessivamente. Nos sindicatos a lavagem
cerebral é feita seguindo os mesmos parâmetros. A imprensa subsidiada pelas
estatais, e entrincheiradas nos blogs, forma um exército incalculável de militantes,
e impõe a sua verdade extraida das
cartilhas dos poderosos. Há facilitadores, quando não defensores exaltados, em
todas as instâncias de poder, a exemplo de ministros encomendados no STF, que
agem com postura de soldado, pronto para executar qualquer missão, como aliás
temos visto no julgamento do "mensalão", cjo desfecho foi adiado “ad
infinitum”. Não importa que uma parcela da população critique esses métodos de
não punição dos poderosos, protegidos que são por todas as instancias que tem
em suas fileiras soldados a postos para executar missões político-partidárias.
Os
poderosos, antes de chegarem ao poder, pregam a cultura da paz, da justiça, da
ética, da união e da liberdade. Exigem liberdade de imprensa. Querem o direito
de se manisfestação, de protestar, tudo para enfraquecer ou tentar derrubar
"governos de plantão". Estes ditadores, quando estão organizando o
movimento pela tomada de poder, pedem ao povo dominado que lutem pela liberdade
e abracem sua causa expressa em suas ideias libertárias. Na verdade, a massa é
instigada a exigir dos "governantes de plantão" igualdade social,
liberdad e, mudança derumoe maior proteção do Estado estimulando a gastança
desenfreada em programs sociais sem contrapartida e sem porta de saida.
Instituem a esmola política para depois se apoderarem dela com sua maquina
nazista de propagandear. Quem pensar diferente daqueles que lideram a marcha
para tomar o poder é caracterizado como "um estranho no ninho" – um direitista,
um burgues, que faz parte da elite. Quando instalados no poder, eles exercem o
poder pelo poder; os mesmos que pregavam a democracia, a igualdade social, a
paz entre as classes, e o direito de discordar, que ordenam às massas em direção
da cultura da paz, para aceitarem o
poder constituído, para que sejam submissos, que não discordem, respeitem os
irmãos, e "sigam conosco". Todo o discurso de paz é só até chegar ao
poder. Implicitamente exortam - só acatem as minhas ordens, façam o que eu
mando, sigam para onde eu determino, frequentem as igrejas, sejam pacíficos e
ordeiros...fraternos. O discurso da fraternidade forjada invade grandes e
poderosas instituições com seu apelo dominador, sacrificando a liberdade, o
valor maior.
Os
dominadores exercem o poder total sobre os dominados. E dessa forma, como os
dominados irão fazer valer, então, o direito de discordar e exercitar a sua
liberdade de opinião? Os dominadores usam todas as armas para seus intentos,
desde mimos até intimidação. Sabemos que os dominados estão de mãos atadas,
acorrentados. Os dominados, oprimidos pela mão pesada dos poderosos, sentem-se
sem opção. Ficam inertes, estáticos e não esboçam nenhuma reação. Esmorecem.
Deprimem-se. Abandonam o seu próprio poder de discernimento. Os dominados, são
estimulados a embarcarem na onda de discriminalização das drogas, e até fazem
uso, às vezes, para suportar a dor de uma dominação cruel. Vão às igrejas e,
ajoelhados, imploram a proteção de Deus.
Porém, a
história desenrola-se em ciclos. Por ironia, de tempos em tempos, surge um
líder que ousa confrontar-se com os dominadores. Ousa dizer: "Basta! Eu
não me submeto! Eu não aceito a dominação! Comigo não! Eu coloco em risco a
minha vida, mas não me entrego!". Mesmo porque, esmagados pelo poder dos
dominadores e encurralados nos próprios guetos, sem as ferramentas de
libertação econômica, política e jurídica, os dominados veem-se com poucas
opções. Uma das opções é usar a vertente cultural, ou seja, a mesma ferramenta
da qual foram vítimas - não é à toa que a produção cultural "brota"
dos guetos e das massas oprimidas. Outra alternativa é optar pela vertente
política. Entretanto, esta opção não tem
valia, porque parte do Congresso, das Câmaras Legislativas e até do Executivo,
também está na engrenagem do mesmo sistema, ou seja: o " tá tudo
dominado". Ninguem aprova leis, ninguem muda a legislação por que os
dominadores estão lá para barrar qualquer avanço democrático que venha socorrer
as massas oprimidas. Resta, então, a opção de fazer, o que não se recomenda no
Estado de Direito: justiça pelas próprias mãos, que de um modo ou de outro
acaba prevalecendo, como vemos nos assaltos nas esquinas, quando bandidos agem sequestrando
nas portas dos bancos, deixando-se corromper, ou até, praticando o
apedrejamento e o quebra-quebra nas passeatas. Ou então, usando a arma política
utilizada por Ghandi - a resistência pacífica - que afrontou e derrubou o
poderoso exército inglês, sem disparar um só tiro. A resistência pacífica é uma
arma tão poderosa quanto um fuzil empunhado com balas e baionetas direcionadas
para as cabeças dos menos favorecidos, os verdadeiros alvos. Quem resiste ao
poder da obstinada resistência pacífica levada às últimas consequências? Como
lutar contra alguem que age sem medo da agressão moral, da agressão física e
até da morte? Como lutar contra um homem-bomba. Vimos o resultado no 11 de
setembro.
Qual a
diferença, então, entre os poderosos donos de instituições e os verdadeiros
líderes? Os donos mandam verticalmente, de cima para baixo, e a maioria dos que
estão em baixo, os dominados, obedecem sem nenhuma reação. E obedecem porque
estão subjugados culturalmente, geralmente devem obrigações, ou dependem
financeiramente dos donos do poder, como é comum, instalados em tronos dos palácios
governamentais, em grandes empresas, ou em instituições que vendem imagens falsas,
cujo produto não reflete aquilo que o rótulo propagandeia. Existe uma grande
diferença entre o líder nato e o impostor, dono do poder. O líder nato exerce
sua influência sobre os liderados, mas não impôe sua vontade, porque o liderado
não é seu subalterno. O liderado é influenciado pelo líder, mas nunca sente-se
soldado do exército sob dominação. Se quiserem, os liderados, podem contrariar
seus líderes, não os obedecendo. Já os donos mandam, e se não forem obedecidos
retaliam, esmagam, destroem. Líderes tentam seduzir, e se não conquistarem os
seus liderados não se estabelecem na liderança. Donos do poder usam armas
escusas: poder de mando, barganha de cargos, moedas, chantagens, ameaças, e até armas.
Líderes usam palavras, frases, e pensamentos.
O povo não
percebe que em suas mãos está posta a arma mais poderosa e letal que a
democracia moderna proporciona para mudar o seu destino, de seu país, de seu estado e de seu
município. O voto é a arma que obriga os poderosos a se submeterem à
alternância do poder. A se submeterem à mobilidade social e à ascensão e dessensão
política. Com o voto, o povo pode eleger e
destituir seus líderes. Com o voto o povo se impõe como " sua
excelência o eleitor", o maior ícone reconhecido na democracia.
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