segunda-feira, 4 de novembro de 2013

DOMINADOS E DOMINADORES

DOMINADOS X DOMINADORES

Por Alvaro


O teórico italiano, Gramsci, propôs que fossem dispensados armas e exércitos, enquanto os ditadores da esquerda, ou da direita, gastavam fortunas para preparar exércitos com a finalidade de invadir países e dominar povos. A proposta feita por Gramsci foi diferente da de Napoleão, Hitler e Stalin. Gramsci foi ao cerne da questão - a verdadeira dominação de um povo só se dá pela vertente cultural. Quando um povo é dominado à força, e o poder imposto com armas em punho, em seguida, há de se fazer a dominação cultural para que a verdadeira revolução tenha consequência. Intuíram, Gramsci e também Fabiano, que se alargando o tempo, a perder de vista, pode-se conseguir dispensar a primeira etapa - a dominação com a força e com as armas - e vagarosamente executar a segunda etapa, ou seja, a dominação cultural como única forma de se apropriar da alma de um povo, impondo assim o "genocídio cultural".

Em vários países, o Brasil é um deles, a opção gramsciana e fabiana, foi colocada em prática a partir do Foro de São Paulo, quando as esquerdas latino-americanas acordaram  que não havia clima nesse continente para a revolução armada. Surgiu então a proposta de dominação cultural, seguindo os preceitos de Gramsci e Fabiano. Foi essa guinada, principalmente com o documento histórico “Carta aos Brasileiros”, que o PT abdicou da radicalidade e ganhou a primeira eleição, atraindo para si em termos de votos parte da chamada elite e de eleitores mais conservadores. Hoje sabemos que na academia, nos sindicatos, em parte da imprensa, nas estatais, em parte do legislativo, e até em uma parcela do judiciário, os soldados do exército forjado no Foro de São Paulo, põe em prática o plano lá elaborado para dominação cultural, renunciando à revolução armada.

O Brasil, nas três últimas décadas, trocou o imperialismo cultural americano por outro de concepção marxista e leninista, cujos líderes na América Latina são representados por Lula, Hugo Chaves e agora seu sucessor Nicolas Maduro, Cristhina Khistner, e Evo Morales. Até de Barack Obama, nos Estados Unidos, há dúvidas quanto as suas intenções. Obama serve a quem? O primeiro presidente negro americano, aquele que disse "nós podemos, está a serviço de quais forças ocultas? Na dominação cultural o professor é infectado pelo vírus dos dominadores, e este, por sua vez, infecta alguns alunos, que através de lavagem cerebral feita nos grêmios estudantis e nas salas de aula, infectam também outros estudantes. Assim ocorre sucessivamente. Nos sindicatos a lavagem cerebral é feita seguindo os mesmos parâmetros. A imprensa subsidiada pelas estatais, e entrincheiradas nos blogs, forma um exército incalculável de militantes, e impõe a sua verdade extraida  das cartilhas dos poderosos. Há facilitadores, quando não defensores exaltados, em todas as instâncias de poder, a exemplo de ministros encomendados no STF, que agem com postura de soldado, pronto para executar qualquer missão, como aliás temos visto no julgamento do "mensalão", cjo desfecho foi adiado “ad infinitum”. Não importa que uma parcela da população critique esses métodos de não punição dos poderosos, protegidos que são por todas as instancias que tem em suas fileiras soldados a postos para executar missões político-partidárias.

Os poderosos, antes de chegarem ao poder, pregam a cultura da paz, da justiça, da ética, da união e da liberdade. Exigem liberdade de imprensa. Querem o direito de se manisfestação, de protestar, tudo para enfraquecer ou tentar derrubar "governos de plantão". Estes ditadores, quando estão organizando o movimento pela tomada de poder, pedem ao povo dominado que lutem pela liberdade e abracem sua causa expressa em suas ideias libertárias. Na verdade, a massa é instigada a exigir dos "governantes de plantão" igualdade social, liberdad e, mudança derumoe maior proteção do Estado estimulando a gastança desenfreada em programs sociais sem contrapartida e sem porta de saida. Instituem a esmola política para depois se apoderarem dela com sua maquina nazista de propagandear. Quem pensar diferente daqueles que lideram a marcha para tomar o poder é caracterizado como "um estranho no ninho" – um direitista, um burgues, que faz parte da elite. Quando instalados no poder, eles exercem o poder pelo poder; os mesmos que pregavam a democracia, a igualdade social, a paz entre as classes, e o direito de discordar, que ordenam às massas em direção da cultura da  paz, para aceitarem o poder constituído, para que sejam submissos, que não discordem, respeitem os irmãos, e "sigam conosco". Todo o discurso de paz é só até chegar ao poder. Implicitamente exortam - só acatem as minhas ordens, façam o que eu mando, sigam para onde eu determino, frequentem as igrejas, sejam pacíficos e ordeiros...fraternos. O discurso da fraternidade forjada invade grandes e poderosas instituições com seu apelo dominador, sacrificando a liberdade, o valor maior.

Os dominadores exercem o poder total sobre os dominados. E dessa forma, como os dominados irão fazer valer, então, o direito de discordar e exercitar a sua liberdade de opinião? Os dominadores usam todas as armas para seus intentos, desde mimos até intimidação. Sabemos que os dominados estão de mãos atadas, acorrentados. Os dominados, oprimidos pela mão pesada dos poderosos, sentem-se sem opção. Ficam inertes, estáticos e não esboçam nenhuma reação. Esmorecem. Deprimem-se. Abandonam o seu próprio poder de discernimento. Os dominados, são estimulados a embarcarem na onda de discriminalização das drogas, e até fazem uso, às vezes, para suportar a dor de uma dominação cruel. Vão às igrejas e, ajoelhados, imploram a proteção de Deus.

Porém, a história desenrola-se em ciclos. Por ironia, de tempos em tempos, surge um líder que ousa confrontar-se com os dominadores. Ousa dizer: "Basta! Eu não me submeto! Eu não aceito a dominação! Comigo não! Eu coloco em risco a minha vida, mas não me entrego!". Mesmo porque, esmagados pelo poder dos dominadores e encurralados nos próprios guetos, sem as ferramentas de libertação econômica, política e jurídica, os dominados veem-se com poucas opções. Uma das opções é usar a vertente cultural, ou seja, a mesma ferramenta da qual foram vítimas - não é à toa que a produção cultural "brota" dos guetos e das massas oprimidas. Outra alternativa é optar pela vertente política.  Entretanto, esta opção não tem valia, porque parte do Congresso, das Câmaras Legislativas e até do Executivo, também está na engrenagem do mesmo sistema, ou seja: o " tá tudo dominado". Ninguem aprova leis, ninguem muda a legislação por que os dominadores estão lá para barrar qualquer avanço democrático que venha socorrer as massas oprimidas. Resta, então, a opção de fazer, o que não se recomenda no Estado de Direito: justiça pelas próprias mãos, que de um modo ou de outro acaba prevalecendo, como vemos nos assaltos nas esquinas, quando bandidos agem sequestrando nas portas dos bancos, deixando-se corromper, ou até, praticando o apedrejamento e o quebra-quebra nas passeatas. Ou então, usando a arma política utilizada por Ghandi - a resistência pacífica - que afrontou e derrubou o poderoso exército inglês, sem disparar um só tiro. A resistência pacífica é uma arma tão poderosa quanto um fuzil empunhado com balas e baionetas direcionadas para as cabeças dos menos favorecidos, os verdadeiros alvos. Quem resiste ao poder da obstinada resistência pacífica levada às últimas consequências? Como lutar contra alguem que age sem medo da agressão moral, da agressão física e até da morte? Como lutar contra um homem-bomba. Vimos o resultado no 11 de setembro.

Qual a diferença, então, entre os poderosos donos de instituições e os verdadeiros líderes? Os donos mandam verticalmente, de cima para baixo, e a maioria dos que estão em baixo, os dominados, obedecem sem nenhuma reação. E obedecem porque estão subjugados culturalmente, geralmente devem obrigações, ou dependem financeiramente dos donos do poder, como é comum,  instalados em tronos dos palácios governamentais, em grandes empresas, ou em instituições que vendem imagens falsas, cujo produto não reflete aquilo que o rótulo propagandeia. Existe uma grande diferença entre o líder nato e o impostor, dono do poder. O líder nato exerce sua influência sobre os liderados, mas não impôe sua vontade, porque o liderado não é seu subalterno. O liderado é influenciado pelo líder, mas nunca sente-se soldado do exército sob dominação. Se quiserem, os liderados, podem contrariar seus líderes, não os obedecendo. Já os donos mandam, e se não forem obedecidos retaliam, esmagam, destroem. Líderes tentam seduzir, e se não conquistarem os seus liderados não se estabelecem na liderança. Donos do poder usam armas escusas: poder de mando, barganha de cargos,  moedas, chantagens, ameaças, e até armas. Líderes usam palavras, frases, e pensamentos.


O povo não percebe que em suas mãos está posta a arma mais poderosa e letal que a democracia moderna proporciona para mudar o seu destino,  de seu país, de seu estado e de seu município. O voto é a arma que obriga os poderosos a se submeterem à alternância do poder. A se submeterem à mobilidade social e à ascensão e dessensão política. Com o voto, o povo pode eleger e  destituir seus líderes. Com o voto o povo se impõe como " sua excelência o eleitor", o maior ícone reconhecido na democracia.

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