domingo, 3 de novembro de 2013

O SISTEMA É BRUTO, OU: BOBO É A MAIORIA

O SISTEMA É BRUTO, OU: BOBO É A MAIORIA,
por Alvaro

“Se anseias, ide aos campos e olhai os lírios...”
Salomão com toda a pujança do império, com todo o seu poderio econômico, não consegue copiar a perfeição das vestes dos lírios do campo. É um sinal da mão de Deus na construção do mundo. Ninguém é suficientemente poderoso que seja completo, que possa tudo.  Ninguém é suficientemente perfeito que não esconda uma falha na sua estrutura. Ninguém  é suficientemente operoso que não apresente, um dia, sinais de cansaço, fadiga de material. Ninguém é onipotente, onipresente, onisciente ao mesmo tempo e todo o tempo - Deus. Mas, reconheço, existem deuses de quintais, de currais, de grupelhos. Esses deuses, os últimos, não conseguem enganar a todos todo o tempo. Podem enganar poucos por muito tempo. Podem enganar a todos por pouco tempo. Eles são reles mortais. Rezam, oram, mas não acreditam em Deus. Acham que são os próprios deuses.

A democracia, o regime democrático,  é uma inspiração divina no sentido do aperfeiçoamento de  nossos métodos de convivência. O “modus operandis”  a que estamos acostumados, tende a distorcer as relações, impondo o predomínio do poder econômico e com isso apontando para o esmagamento de minorias excluídas. Os mais pobres são a parte mais fraca da corda da vida, o elo mais enfraquecido pela ferrugem na  corrente de nossa existência. Mas, a ferrugem é uma corrosão resultante da oxidação mais veloz de grupos sociais desprotegidos, expostos mais facilmente aos agentes corrosivos, que lançam mão de produtos oxidantes e fazem como o ditador da Síria que lançou mãos das armas químicas contra multidões civis indefesas.

Os agentes corrosivos, numa democracia, são os corruptos. A corrosão é a própria corrupção. No mundo capitalista, todos se dobram ao poder do dinheiro que é o valor máximo, o próprio ícne do sistema. Uns mais outros menos. Uns com plena consciência e outros enganados. Não estamos, portanto, num mundo de inocentes e inofensivos. Fazemos parte de uma sociedade complexa, agressiva nos seus métodos e muito ambiciosa nos seus objetivos. O poder de sedução do capital é incomensurável. Os poderosos não querem só os anéis, pedem os dedos. Se lhes damos os dedos, querem a nossa alma. Sugam nossa alma, chupam nosso sangue como vampiros. Desmerecem nossos ideais.Querem, a nós, inteiros, como se fôssemos laranjas tiradas do sexto - alimentam-se com o néctar e lá na frente cospem o bagaço.

Basta alguém se destacar socialmente, basta ser apontado como um novidade, politicamente, e todos os abutres querem transformar o mundo em carne podre para alimentar-se. Tudo é ameaça para quem alimenta-se compulsivamente com estrume do poder. As hienas. Desqualificar o oponente é a arma que lançam mão, primariamente, aqueles que acham que são donos do mundo. Eles lançam mãos daqueles velhos métodos de desqualificação – atacam a honra do oponente – questionam a sexualidade, a saúde mental, a liderança, a família, a inteligência - você inteiro como ente social. Eles lhe enterram vivos e você nem percebe que está sendo sepultado.

Não há como baixar a guarda na luta contra os detentores do poder. Eles querem o poder total, hegemônico. Acham-se incontestáveis, indestrutíveis, semi-deuses. Eles querem nossas almas. Eles pretendem a dominação completa do sistema - dos indivíduos, das famílias, das cidades e dos estados-países. Eles não enxergam oponentes que lhes vençam, mas veem inimigos até nas nossas sombras, por que o poder os tornam inseguros, frágeis como cristais. E querem sempre aniquilar qualquer alvo que se interponha no sou caminho,  eterna e incessantemente ávidos por mais poder e mais dominação. São obsessivos e compulsivos. Geralmente tem traços dos psicopatas. Não há cura para esta anomalia social, para os sociopatas. E, como psicopatas que são, não sentem culpa. Passam tratores por cima de tudo, de velhos e crianças, de culpados e inocentes. São Hitlers, praticam o nazismo. E, todos nós, suas desculpas-alvos, somos como os judeus - culpados de tudo e objetos marcados para a exterminação.

Sendo assim, vou de Vinícius de Moraes: “Cuidado companheiro, a vida não é brincadeira não. A vida é arte do encontro embora exista tanto desencontro pela vida. Haverá sempre uma mulher a sua espera com as mãos cheias de carinhos e os olhos cheios de perdão... E Darwin, autor de uma das teorias da evolução das espécies, que um dia falou mais ou menos assim: O galo mais vistoso, o de penas mais coloridas, de maior porte, de canto mais melodioso é visto com destaque pelas galinhas. Mas, é visto também, quem sabe visto primeiro, pelas raposas. As raposas não param de caçar. As raposas sentem o cheiro de sangue, daqueles que poderiam ser suas presas. As raposas querem sempre predar os galos antes que eles fecundem as galinhas, os galos mais vistosos, os que são vistos primeiro. E o galo destacado naquele momento, quer ser visto pelas galinhas antes que a raposa chegue; é uma questão de sobrevivência. Para o galo, instintivamente, quanto mais galinhas ele fecundar, mais garantido estará seu genótipo. Então, instintivamente, repito, ele segue dissipando suas idéias, seu pacote genético denominado genótipo. Andando de bicicleta, o galo, não pode ficar encantado com medo da raposa, paralisado pela ameaça do predador. Quem vence a batalha? Algumas vezes o galo, algumas vezes a raposa. Geralmente, quando a raposa alcança o galo ele já fecundou várias galinhas, algumas, galinhas dos ovos de ouro. E as galinhas produzem outros galos que irão fecundar, ou não, mais galinhas. Faz parte do jogo, é a vida. Não é importante chegar sempre, o importante é começar primeiro, começar logo. Numa corrida para fecundar, dentre milhões de espermatozoides, um chega primeiro. Mesmo que, aquele que chegue primeiro tenha sido o que não saiu na frente. O grupo é encarregado do processo de fecundação. Senão, para que tantos? Um só espermatozoide perfura a membrana do óvulo e lá deposita seu genótipo, suas idéias genéticas, seu pensamento genético filosófico. É assim, isto por que, a genética é a materialização de um sistema filosófico divino. Ou não é?

Não se iludam, meus amigos. As raposas do capitalismo selvagem e dominador usam métodos sofisticados de cooptação e de dominação. Usam o círculo de influência e convivência dos seus oponentes se fazendo de amigos. Usam o grupo familiar, o circulo religioso, os amigos comuns. São como o demônio - chegam mansos, bem vestidas, oferecem mimos, demostram amizade; são cheirosinhos e altamente sedutores, e, escondem em perfumes importados o cheiro do enxofre para que você não perceba...mas querem sua carne e sua alma. Querem lhe levar para o inferno. E, se você não tomar cuidado, eles vão lhe aniquilar, atingindo você no cerne de seu grupo para que você conteste alguma liderança em seu circulo de amizade. Para que você brigue com seu filho ou com sua companheira. Não baixem a guarda, companheiros. Nunca!

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