Maçonaria, por Anestor
Porfírio da Silva
A maçonaria brasileira conta, atualmente, com uma abundante e
valiosa literatura, que é responsável pelo armazenamento de grande parte de sua
longa história. Durante anos e anos, essa dita literatura vem, sistematicamente,
registrando com extraordinária credibilidade, os mais variados e importantes
fatos relacionados à sua secular trajetória neste país, o que a torna um rico
acervo da Ordem Maçônica. Sobre seu passado, seus principais vultos, sua
evolução através dos tempos, seus grandes feitos etc., há um manancial de
informações que pode eliminar qualquer dúvida, o que não ocorre quando alguém
busca saber, por exemplo, qual é a maçonaria de hoje e qual será a maçonaria do
futuro.
Nessa incerteza, muitas pessoas indagam saber se ainda
existem causas que possam levar a maçonaria à luta, e se essas causas realmente
existem, quais são elas, mas as fontes esclarecedoras são escassas. Não passam
de raras obras escritas e mais alguns artigos que, de vez em quando, são
divulgados através de periódicos maçônicos (revistas e jornais), ou pela
Internet, em forma de crônicas, manifestos, pronunciamentos e comentários de
autoria de alguns poucos obreiros, em cujos trabalhos buscam colocar em
evidência preocupações relacionadas à questão em foco.
Provavelmente, situações de expectativa que são criadas
diante de fatos como: as informações por demais tímidas sobre os reais
objetivos da maçonaria, as constantes e injustificadas alterações da legislação
e dos rituais, a falta de conscientização dos maçons e das lojas em momentos em
que as próprias circunstâncias assim o exigem, a não realização de encontros
estaduais dos maçons para o debate de questões sociais em que a ação da
maçonaria se faz necessária, têm dado
espaço a muitos crerem que ela esteja caminhando para o fim. Para uns, a
maçonaria está em declínio porque, embora tendo um passado de importantes lutas
e de muitas vitórias, enfrenta um
presente sem afirmações, à espera de um futuro incerto. Para outros, ela
está fadada à sucumbência por não ter mais bandeiras de luta, por representar
alto custo financeiro aos seus membros e também porque em nada evoluiu ao longo
de toda a sua história. Enfim, tanto para uns quanto para outros, o que faz a
maçonaria atualmente não passa de sessões monótonas, improdutivas e sem
atrativos, com os seus dirigentes mais interessados em promover banquetes em
ambientes suntuosos, onde o que mais se vê é a farta distribuição de diplomas e
medalhas condecorativas, em vez de trabalharem no sentido de colocar a Ordem
nos trilhos da sobrevivência e conduzi-la por rumos capazes de resgatarem a sua
verdadeira identidade.
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