segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

AZARADOS E SORTUDOS

23/02/2014
 às 18:00 \ Política & Cia - Ricardo Setti na Veja.com


SARDENBERG: Dilma é azarada

"Uma coisa a gente precisa admitir: a presidente Dilma é azarada" (Foto: Weslwy Santos / O Globo)
“Uma coisa a gente precisa admitir: a presidente Dilma é azarada” (Foto: Weslwy Santos / O Globo)
Artigo publicado no jornal O Globo
AZARADA
Carlos Alberto Sardenberg
Uma coisa a gente precisa admitir: a presidente Dilma é azarada. Bem ao contrário do sortudo presidente Lula.
É verdade que Dilma fez escolhas que se mostraram equivocadas, como a tentativa de crescer via consumo e as intervenções nos juros, nos preços, no sistema elétrico. Mas não é menos verdade que o ambiente foi desfavorável.
Se FHC, também azarado, havia padecido com as sucessivas crises dos emergentes (México 94, Coréia 97, Rússia 98), Lula assumiu a presidência em 2003, quando o mundo todo exibia um crescimento exuberante. E, especialmente, no momento de máxima aceleração da China, o que turbinou nossas exportações e trouxe uma enxurrada de dólares para o país. Pela primeira vez na história, o Brasil teve sobra de dólares.
Caiu do céu. Do céu internacional e do agronegócio, sempre tão hostilizado pelo PT. Pois foi o agronegócio que trouxe a maior parte dos dólares.
Lula também usufruiu dos benefícios da estabilização monetária, iniciada com o Real em 1994 e consolidada no início de seu governo, o que permitiu a volta do crédito, turbina do consumo.
Verdade que veio a crise financeira dos EUA (2009). Mas, como todos os demais emergentes, o Brasil estava mais preparado, em razão mesmo das reservas de dólares.
E se FHC havia sofrido com a maior seca da história, Lula ganhou períodos generosamente chuvosos. Verdade que houve enchentes e alagamentos, mas o apagão teria sido pior.
E por falar em azar, Dilma está apanhando uma seca parecida com a de FHC. A presidente também apanhou com os efeitos da crise financeira. Primeiro, pegou recessão nos países desenvolvidos e quando estes começaram a se levantar, os emergentes, e especialmente a China, desaceleraram. O comércio externo virou, dos superávits enormes, para um déficit real.
O Fed, banco central dos EUA, primeiro, inundou o mundo de dólares baratos, forçando a valorização das moedas emergentes; agora, está retirando dólares, forçando desvalorizações – e inflação.
 "Se FHC havia sofrido com a maior seca da história, Lula ganhou períodos generosamente chuvosos" (Fotos: Ernesto Rodrigues / AE :: PT)

“Se FHC havia sofrido com a maior seca da história, Lula ganhou períodos generosamente chuvosos” (Fotos: Ernesto Rodrigues / AE :: PT)
Os efeitos da estabilização monetária e da volta do crédito se esgotaram. E os truques da era Lula, como a falsa capitalização da Petrobras ou a equivocada aliança Sul-Sul, começaram a mostrar seus efeitos negativos.
O Brasil e os emergentes em geral, de queridinhos, viraram fonte de instabilidades.
Só falta Dilma perder a Copa.
Com racionamento?
De uma entrevista na CBN (quarta-feira) com o engenheiro Mário Veiga, presidente da consultoria PSR, e um dos mas respeitados especialistas no setor elétrico:
"Há um risco de racionamento de 18,5%; racionamento" (Foto: Reinaldo Canato)
“Há um risco de racionamento de 18,5%; racionamento” (Foto: Reinaldo Canato)
. Há um risco de racionamento de 18,5%; racionamento, no caso, quer dizer, falta de mais de 4% da demanda por energia, algo equivalente a deixar sem luz 12 milhões de residências;
. Embora seja verdade que, por oposição, há uma chance de 81,5% de não ocorrer racionamento, o risco de 18,5% é muito elevado para os padrões do sistema;
. O problema não decorre da atual seca, nem do excesso de demanda; o sistema vem dando sinais de dificuldades há anos;
. Não é o caso de se recorrer agora a um racionamento preventivo; dá para esperar até abril, ou seja, até o final do período de chuvas; pode ser que São Pedro ajude; mas um racionamento é uma complexa operação, que não pode ser improvisada; ou seja, deveria estar sendo preparada;
. Há óbvios atrasos na entrada em operação de usinas e sistema de distribuição;
. Há problemas estruturais; não se pode dizer que está tudo em ordem quando o sistema está usando todas as termoelétricas (espécie de seguro) e quando as usou mesmo em tempos de chuva;
. Os últimos anos mostram também uma série de trapalhadas do governo, que deixaram distribuidoras sem energia contratada, obrigando-as a recorrer ao mercado livre, pagando preços muito mais elevados (hoje, de R$ 1.700/megawatt/hora);
. O prejuízo tem que ser pago pelo Tesouro (pelo contribuinte brasileiro) ou pelo consumidor, na tarifa, já que a culpa do desequilíbrio financeiro não é das distribuidoras, nem das demais empresas do setor.
. Simplificando, e sem contar os rombos do ano passado, o Tesouro teria que repassar, em 2014, cerca de R$ 24,5 bilhões; ou aplicar um aumento de tarifas de 24%.
Eis, portanto, o dilema da presidente Dilma: aumentar o gasto público – e prejudicar a realização do superávit primário, num ambiente de desconfiança com as contas do governo – ou elevar tarifas, com forte impacto numa inflação já alta, isso exigindo juros mais altos – tudo com prejuízo político.
Uma bela enrascada – trapalhadas em cima de azar.

Blá,blá,blá... - NO PALANQUE TUDO É FÁCIL

NO PALANQUE TUDO É FÁCIL

O Estado de S.Paulo
A presidente Dilma Rousseff acha que é "simples" enfrentar a seca no Nordeste.
Em discurso no Piauí, durante mais um dos eventos do calendário eleitoreiro do governo, Dilma declarou que o segredo é "conviver com a seca".
Façamos um esforço para acompanhar seu raciocínio. Segundo a presidente, "a seca não é uma maldição, a seca é uma ocorrência, é algo que ocorre", comparável aos "invernos rigorosos" dos países do Hemisfério Norte, que "duram seis, sete meses, todo ano, chova ou faça sol". Conceda-se que o tal inverno rigoroso que dura "sete meses" seja apenas um arroubo retórico para reforçar seu argumento. Mas Dilma continua, animada: "Eles têm um inverno forte, que acaba com toda a produção, a neve mata tudo o que cresce, e eles sobrevivem muito bem, obrigada, e fortes. Nós também podemos enfrentar a seca, sim".
Dilma descobriu agora que "a seca não deve ser combatida". Em lugar disso, é preciso haver "ações emergenciais" para ajudar os agricultores a contornar os efeitos da estiagem enquanto as condições climáticas não melhoram. É a institucionalização do assistencialismo - e nesse campo, como de hábito, chovem apenas promessas.
Em novembro de 2012, quando o Nordeste enfrentava a maior seca em meio século, Dilma lançou o programa Mais Irrigação e garantiu que o sertão seria transformado em "um dos maiores produtores de alimentos que nosso país e o mundo necessitam" e que "a vítima da seca deixará de ser flagelado para se tornar um produtor rural". Os investimentos anunciados para tão ousado objetivo somavam R$ 10 bilhões.
Seis meses depois, em abril de 2013, Dilma esteve no Ceará para prometer um novo pacote contra a estiagem, no valor de R$ 9 bilhões. Desse dinheiro, R$ 3,1 bilhões eram o quanto o governo estimava deixar de arrecadar em razão da renegociação de dívidas de agricultores que tiveram prejuízos com a seca. Outra parte dizia respeito à prorrogação de programas assistenciais, o Garantia Safra e o Bolsa Estiagem. Havia, portanto, pouco "dinheiro novo" no pacote, formado basicamente por verbas já empenhadas, seguindo a tradição dos governos petistas de reciclar programas antigos para apresentá-los como novidade.
Mas isso não é tudo. A caríssima e controversa transposição das águas do Rio São Francisco, prometida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o "compromisso não de um presidente, mas de um retirante nordestino", tornou-se um autêntico elefante branco. Além dos seguidos atrasos em seu cronograma, a obra, se e quando estiver concluída, vai produzir água a um preço proibitivo para os pequenos agricultores, o que obrigará o governo a recorrer a subsídios, adicionando sacrifícios aos contribuintes.
Agora, em 2014, depois de tantas promessas, Dilma diz que é preciso aceitar a seca como um fato da vida, a exemplo do que fazem os agricultores do Hemisfério Norte ante a dureza do inverno. A presidente tem razão, mas há importantes diferenças. Em vez de prometer bilhões em "ações emergenciais" e em projetos que mal saem do papel, os países do Hemisfério Norte estimularam o desenvolvimento de avançadas técnicas agrícolas mesmo em pequenas propriedades, o que permite aos produtores retomar seu trabalho em alto nível após o inverno, reduzindo os prejuízos. Em relatório sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre a agricultura, a União Europeia diz que há uma "vasta gama de opções" para lidar com o problema, todas baseadas em tecnologia para prevenção. Considerar o inverno inevitável não significa aceitar, como uma fatalidade, as perdas decorrentes dele.
Ao dizer que é "simples" lidar com a seca no Nordeste, Dilma esbanja a mesma arrogância de seu criador, Luiz Inácio Lula da Silva, que, ao deixar a Presidência, disse que era "fácil" governar o Brasil. Quando se governa do palanque, tudo parece mais simples mesmo. Mas já passou da hora de tratar o centenário flagelo da seca no Nordeste com mais responsabilidade. Não se pode mais admitir que o sertanejo continue a ser tratado como mera commodity eleitoral, sempre à espera do caminhão-pipa.


A VACINA CONTRA LULA É FHC

24/02/2014
 às 4:24 - Reinaldo Azevedo na Veja.com



Lula critica o governo Dilma a interlocutores “dazelite”. O Barba adoraria voltar, mas não vai!

O Barba, bem mais jovem, e o seu umbigo: não é de hoje que ele é o centro do mundo
O Barba, bem mais jovem, e o seu umbigo: não é de hoje que ele é o centro do mundo
O Apedeuta anda criticando o governo Dilma em conversa com interlocutores. Primeira pergunta: ele quer voltar? A segunda: há a possibilidade de ser ele o candidato do PT? A terceira: as críticas fazem sentido?
Pois é… Vou começar pela mais fácil.. Sim, Lula adoraria voltar. Eu diria até que, intimamente, ele não pensa em outra coisa. Mas sabe que isso é muito difícil — diria mesmo ser impossível hoje. Num cenário de catástrofe, não tenham dúvida de que o salvador da pátria se apresentaria.
Mas isso não está no horizonte. Ademais, Dilma não exibe números espetaculares segundo os institutos de pesquisa, mas é franca favorita à reeleição — e no primeiro turno, segundo os números de hoje. Talvez, lá no fundo do peito, nos seus desejos mais recônditos, mais profundos, o ex-presidente até torcesse para que ela despencasse e se mostrasse uma candidata de alto risco. Mas isso não aconteceu. Botá-la em escanteio seria visto como um gesto truculento e, na verdade, desnecessário.
Então sintetizo agora duas respostas numa só: querer, ah, isso ele quer muito. Mas não pode. Não tem como tirar Dilma do meio do caminho.
Lula virou uma espécie de psicanalista de alguns setores descontentes com o governo. Tem recebido uma verdadeira romaria — inclusive de alguns pesos pesados da economia — que lhe pedem para voltar. Desde José Rainha — um dissidente esquerdista do MST, que agora fundou seu próprio movimento — a alguns pesos pesados do PIB, a romaria dos que vão a Lula é grande.
E ele não se furta ao papel absurdo de presidente paralelo. Ouve as reclamações, tranquiliza o interlocutor, promete providências e, como se nota, deixa vazar críticas à sua sucessora. Lula, como sempre, está descumprindo uma promessa. Tinha anunciado que seria um ex-presidente discreto e silencioso, como nunca antes na história deste país, para usar um bordão seu. E, como nunca antes da história deste país, é um ex-presidente que tem ambição de continuar governando.
O chefão petista considera — a Folha de hoje traz uma reportagem a respeito — o governo Dilma centralizador demais e avalia que ela se afastou dos empresários. Acha a gestão pesada, lenta. Acredita também que a atual equipe econômica já deu o que tinha de dar — vale dizer: Guido Mantega. As suas críticas, afinal de contas, procedem?
Depende. Tomadas as coisas como são, a resposta é “sim”. Mas Dilma faz algo muito diferente, ou deixa de fazer alguma coisa, na comparação com o seu antecessor, o próprio Lula? A resposta é “não”. Então o que foi que mudou? A realidade internacional. Deem a Dilma a mesma economia mundial que Lula tinha, com a China crescendo em ritmo alucinante, com o preço das commodities primárias nas alturas, e ela se sairia melhor. Deem a Dilma um cenário de corrida do dinheiro para os países emergentes para fugir da crise americana e europeia, e ela se sairia melhor. Acontece que esses eventos não vão se repetir.
Dilma está pegando a fase final das “virtudes” do modelo lulista, ancorado no consumo. O déficit de US$ 11,591 bilhões nas contas externas em janeiro começou a ser fabricado no governo Lula. O rombo certo na balança comercial em 2014 — o primeiro em 13 anos — também começou a ser fabricado no lulismo. O papel cada vez mais modesto da indústria no PIB e um déficit de US$ 110 bilhões do setor no ano passado têm a digital indelével de… Lula!
Pergunte-se: que reforma estrutural importante ele encaminhou? O que efetivamente fez pelo investimento em infraestrutura? Em vez de privatizar aeroportos e estradas, por exemplo, passou oito anos demonizando as privatizações por motivos estritamente políticos, por proselitismo ideológico vigarista. A crise da Petrobras, para citar um caso emblemático, é uma das heranças malditas que Lula deixou para a sua sucessora.
O governo Dilma é, sim, a meu juízo, muito ruim — mas não é pior do que era o de Lula. O que mudou de modo importante foi a conjuntura internacional, e o PT não estava preparado para isso.
Encerro apontando a absoluta falta de pudor político de um ex-presidente da República que se dá ao desfrute de manter reuniões com empresários e de fazer vazar as suas críticas, constrangendo a sua sucessora. Ainda que Dilma não se elegesse nem síndica de prédio em 2010 sem o seu apoio, o fato é que ela é a atual presidente da República.
No fim de 2010, Lula afirmou que iria gastar seu tempo como ex-presidente cozinhando coelho em seu sítio, em Ribeirão Pires. Pelo visto, anda mais ocupado alugando a orelha para tubarões.
Por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

CARNAVAL É CULTURA



EVENTO CULTURAL DO CARNAVAL

J, Raimundo do Programa Canta Viola da Ubatã FM entrevista Governador e Secretário de Turismo em Salvador. Dr. Alvaro PEDE mais atenção para o Carnaval no Interior. Veja a entrvista completa, sábado, dia 22, no Canta viola










quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

MADURO OU IMATURO

18/02/2014
 às 20:10 \ Direto ao  - Augusto Nunes - Veja.com


A declaração de apoio a Maduro adverte: o Mercosul começou a agir na clandestinidade e está com cara de organização criminosa

venezuela
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Às vésperas da reunião de cúpula do Mercosul em Caracas, o presidente venezuelano Nicolás Maduro amparou-se na cirurgia a que foi submetida Cristina Kirchner para adiar por um mês a sessão de abertura marcada para 17 de dezembro. Foi a primeira mudança de data. A segunda ocorreu em 5 de janeiro: invocando a necessidade de preservar a saúde da colega argentina, o herdeiro de Hugo Chávez transferiu o encontro do dia 17 para o dia 31. Em 16 de janeiro, misteriosos “problemas de agenda” serviram de pretexto para o terceiro adiamento, que empurrou o piquenique bolivariano para “meados de fevereiro”.
Como fevereiro vai chegando ao fim, está claro que vem aí o quarto adiamento. O encontro dos sócios do bloco econômico mais raquítico do mundo deverá ficar para março. Mas talvez fique para quando Deus quiser, avisam os desdobramentos da crise venezuelana e as evidências de que os quatro sócios de Maduro querem distância de Caracas. Fazem muito bem, concordam as cenas perturbadoras agrupadas no vídeo abaixo (gravado durante os protestos da última quinta-feira, dia 13) e as fotos que registram a gigantesca manifestação promovida nesta terça-feira. A tempestade está em seu começo.
Um comunicado divulgado neste domingo pelo Ministério das Relações Exteriores da Venezuela atesta que a turma do Mercosul decidiu apoiar incondicionalmente o chefe de um governo em decomposição ─ mas prefere combater à distância e por escrito. No texto cuja autoria foi atribuída por muita gente ao sucessor do bolívar de hospício, “os Estados membros do Mercosul, diante dos recentes atos violentos na irmã República Bolivariana da Venezuela e as tentativas de desestabilizar a ordem democrática, repudiam todo tipo de violência e intolerância que busquem atentar contra a democracia e suas instituições, qualquer que seja sua origem“.
E a prisão do líder oposicionista Leopoldo Lopez? E os ataques abjetos à deputada Maria Corina Machado? E os manifestantes assassinados com tiros na cabeça? O documento que tenta socorrer o companheiro em apuros não perdeu tempo com tais detalhes, comprova o palavrório que conclui o monumento ao cinismo:
Os  Estados membros reiteram seu compromisso com a plena vigência das instituições democráticas e, neste contexto, rejeitam as ações criminosas de grupos violentos que querem espalhar a intolerância e o ódio na República Bolivariana da Venezuela como uma ferramenta política. Expressam seu mais forte rechaço às ameaças de ruptura da ordem democrática legitimamente constituída pelo voto popular e reiteram a sua posição firme na defesa e preservação das instituições democráticas, de acordo com o Protocolo de Ushuaia sobre compromisso democrático no Mercosul (1998)”.
“Sugerem que as partes a continuem a aprofundar o diálogo sobre as questões nacionais, dentro do quadro das instituições democráticas e do Estado de direito, como tem sido promovido pelo presidente Nicolás Maduro nas últimas semanas, com todos os setores da sociedade, incluindo parlamentares, prefeitos e governadores de todos os partidos políticos representados. Finalmente, expressam suas sinceras condolências às famílias das vítimas fatais, resultado dos graves distúrbios causados, e confiam totalmente que o governo venezuelano não descansará no esforço para manter a paz e plenas garantias para todos os cidadãos”.
Os cinco patetas que pilotam o naufrágio do Mercosul acabam de consumar a dez mãos uma proeza e tanto. Pela primeira vez, uma declaração conjunta foi aprovada sem que se perdesse tempo com reuniões, debates, sugestões de acréscimos, propostas de cortes e outras miudezas. Pela primeira vez, não aparece uma única e escassa assinatura sob o texto que expõe pontos de vista e argumentos avalizados por vários países. Pela primeira vez, foram promovidos a segredos de Estado o nome do redator, a identidade dos envolvidos nos trabalhos de parto e o local de nascimento da peça histórica.
A gestação do documento reforça a suspeita de que o Mercosul caiu na clandestinidade e começou a agir nas sombras. Pelo prontuário dos parceiros, ninguém ficará surpreso se, daqui a pouco, a entidade se transformar em mais uma organização criminosa.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

CAINDO DE MADURO

CUBANIZAÇÃO DO BRASIL

19/02/2014
 às 10:17 \ Opinião - Blog de  Augusto Nunes na Veja.com


Nêumanne comenta a cumplicidade do PSDB com Eduardo Azeredo e a sujeição do governo brasileiro à ditadura cubana

Em sua coluna Direto ao Assunto, veiculada pela Rádio Jovem Pan, o jornalista José Nêumanne Pinto afirmou que o tratamento dispensado ao deputado Eduardo Azeredo, envolvido no valerioduto mineiro, torna o PSDB parecido com o PT. E criticou a subordinação do governo brasileiro às regras impostas pela ditadura cubana aos participantes do programa Mais Médicos. Confira:
Sobre Eduardo Azeredo
Sobre o Mais Médicos

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

UM LOCAL SAGRADO - PONTO-CHIQUE

 CAMAMU e o PONTO-CHIQUE
            por Alvaro
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Vivi toda a minha infância e parte da adolescência, até os 17 anos, na minha terra natal – Camamu. Estudei, a partir do 5º ano de idade, no Colégio São Domingos Sávio de D. Clotildes e D. Ceci. Depois, fui fazer o que era chamado “curso ginasial” durante quatro anos no Colégio Pirajá da Silva.  Aos 17 anos fui morar em Salvador na casa de meus tios Dinorá e Zé Pinto passando a cursar o que se chamava “científico” no colégio Central. Passei nos vestibulares para cursar medicina na Universidade Federal da Bahia – a que escolhi – mas também  na Escola Baiana de Medicina. Retornei a Camamu em 2002, no início do ano. A convite, assumi a Secretaria Municipal de Saúde de 2002 a 2006.

Voltemos a Camamu, que no momento é onde devo focar. Camamu era uma Cidade com a típica vida interiorana – lenta, pacata, carente de infraestrutura. Á época, na minha infância era comum, homens tomarem banho no final da tarde nas fontes naturais de agua – principalmente “as Caretas” - pois a “Fontinha” era mais usada para recolher água de beber ( lembram de Cavahaque). Muita gente nesse tempo ganhava a vida carregando água das fontes para as residências.  

Há trinta anos passados o point em Camamu era o Ponto-Chique. O ponto chique era o local de empinar pipas, de descer escorregando em fragmentos de madeira ou simplesmente de reuniões de jovens, principalmente. A casa de meu avô, Dr. Alvaro Ernesto e o terreno de tia Elza, sua irmã, eram separados pela rua que alí está. O terreno de tia Elza era cercado por um muro marron, bem delimitado. A área do terreno ficava entre a casa de Geraldo Pereira e o poste que hoje tem um refletor – alí terminava o muro e tinha do lado de fora do terreno dois postes pretos de ferro pertencente aos Correios e Telégrafos. Dalí em diante era terreno público. Nós da família Ernesto, nunca nos ousamos em anexar um palmo sequer do patrimônio público. A área era sagrada para que toda a população da cidade  desfrutasse livremente. Muitos namoros começaram e muitos acabaram alí no Ponto-Chique. Lembro-me que um casal de parentes, D.Marinalva e Sr. Alborino tinha o hábito de passear a tardinha de maos dadas ou abraçados de sua residencia na Rua Direita até o Ponto-Chique e lá ficvam uma duas horas. A família de Tio Milton Coutinho - Roberto, Getúlio,  Carolina e Zé Eduardo juntamente comigo e meus irmãos fazíamos dali um local para o lazer e para o descanso e até reflexão. Luiz de Djanira, Otaviano, Carlito de Amenália, Maria Assunção, Barbinha, os filhos de João Soldado e os irmãos de Bolachão vivíamos todos por alí uma boa parte dos nossos dias. Bartira, Charles, Lindoia...

 Hoje, para mim, o Ponto-Chique é um local sagrado.

Quando retornei a Camamu em 2002, o Prefeito Zequinha da Mata me convidou para assumir a Secretaria Municipal de Saúde. O mesmo Zequinha que junto com Célio Querino, Augusto Souza e outros amigos vivemos nossa infância atrelado ao Ponto Chique. Os filhos de Sr. Manoel Vasconcelos, de Sr. Milton de Zuca e de Sr. Capitãozinho e D. Dete frequentavam o Ponto-Chique. Em dias de festa na Igreja de Senhor do Bomfim na Cidade Baixa, nós os moradores da Cidade Alta corríamos ao Ponto-Chique para, daquele ponto privilegiado, observarmos o movimento. O Ponto-Chique é, portanto, um referencial histórico e cultural da cidade de Camamu e seus habitantes. Que as fontes de água não tivessem sido preservadas, paciência. Mas o Ponto-Chique, não! Nós, os Ernestos, já perdemos mais de 600 hectares de terra no Tiriri e não reclamamos de ninguem. Eu estou fazendo este apelo veemente para preservar o Ponto-Chique como área pública por que sou Camamuense e amo minha cidade. Não quero para meu uso particular.

A Prefeitura de Camamu tinha um projeto de construir alí um mirante e no local onde hoje é minha residência e que pertenceu aos meus pais, avós e bisavós, seria um Centro de Cultura. Com o meu retorno a Camamu, o Prefeito à época retrocedeu da desapropriação, por que um dos donos se apossou de pleno direito da sua propriedade, do nosso imóvel e me deu cópia do projeto. Como Camamuense damos valor a nossa terra. Veja Chico Vasconcelos com o projeto de restauração da Igreja de Nossa Senhora da Assunção – somos todos agradecidos a Chico.

O Ponto-Chique, do modo como está demarcado por uma cerca,  englobando área particular e área pública não é, todo, propriedade particular. É, e sempre será da Cidade de Camamu. Quem viver verá.

*OBS: Este Blog dará espaço para que o "proprietário" se manifeste e apresente seus argumentos e seus documentos.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

ANDAM JUNTOS: DINHEIRO E PODER

A FOME DE DINHEIRO E PODER
por Alvaro


Senadora Katia Abreu  em artigo escrito e intitulado Conspiração teoria e prática  diz que há conspiração para abolir a propriedade privada. Mas, nesse momento o que existe é exatamente o contrário. Terras públicas estão sendo invadidas por sabidórios que contam, geralmente, com a ajuda de funcionários públicos e poderosos de plantão. Detendo informações privilegiadas conseguidas de  funcionários públicos, geralmente através de remuneração, empresários e advogados espertos, sabem como fazer para aumentar seus patrimônios como fêmeas que parem ninhadas de dezenas e milhares de filhotes de uma só vez. Muitas vezes, alguns deles chegam aos municípios menores “matando cachorro a grito” e, em 4 ou 5 anos já são latifundiários. Gente que trabalha 50, 60 anos não consegue o que eles juntam em 2 ou 3.

Em seu artigo diz a Senadora Kátia Abreu:
Os fatos estão aí: há um projeto em curso, que pretende restringir e relativizar a propriedade privada e a economia de mercado. Em suma, o Estado democrático de Direito”.

Senadora, no momento, não vivemos num Estado democrático de direito. Presenciamos a barbárie institucional. O que está valendo é a lei do mais forte. Os espertos são recrutados por instituições como soldados do crime organizado a serviço de máfias instaladas nos mais diversos recantos que a  senhora mesmo reconhece em seu texto e eu anexo aqui: “A sociedade brasileira está sendo artificialmente desunida e segmentada em negros, índios, feministas, gays, ambientalistas e assim por diante. Em torno de cada um desses grupos aglutinam-se milhares de ONGs, semeando o sentimento de que cada qual padece de injustiças, que têm que ser cobradas do conjunto da sociedade”.

Mesmo por que, vivemos uma Nova Ordem Mundial. Direita e esquerda não tem mais sentido. Fundações americanas de direita financiam líderes de esquerda no Brasil. O que há é a perpetuação dos poderosos confiscando os bens privados para grupos privados poderosos e organizados ou para o Estado, dominado por grupos privados – são sempre os mesmos, não importa a ideologia.

As cidades pequenas, através de grupos poderosos, geralmente respaldado por instituições – ONGs ou não – misturam o público e o privado. O mais comum é que alguma instituição que goze de prestígio na sociedade, recrute gente de fora e de dentro da cidade que sirva de meio para operações ortodoxas. O esquema é pesado pois envolve muito dinheiro e muito poder. E, a maioria covarde, silencia, quando não coopera. Silencia por covardia, por medo ou por propina.


Então a questão do confisco não importa qual a ideologia está por trás, se é a do MST ou a das igrejas. E não importa se é o Estado ou uma ONG. Se é uma sociedade secreta ou uma associação. Tá tudo dominado, como sempre foi.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

NAU SEM RUMO

15/02/2014
 às 15:00 \ Política & Cia Ricardo Setti na Veja.com


Lya Luft: Não podemos ser uma nau sem rumo

"Por que destruímos tantos ônibus, prejudicando o já tão maltratado povo? O que haverá por trás disso?"  (Foto: Edison Temoteo / Futura Press)
“Por que destruímos tantos ônibus, prejudicando o já tão maltratado povo? O que haverá por trás disso?” (Foto: Edison Temoteo / Futura Press)
Artigo publicado em edição impressa de VEJA
NÃO PODEMOS SER UMA NAU SEM RUMO
Lya LuftUm amigo me telefonou para elogiar um artigo desta coluna porque era “um tom mais otimista do que o habitual”. Agradeci, mas na verdade esta não é uma coluna simpática, boazinha: é o meu depoimento sobre o que vejo e sinto no país ou nesta humanidade que somos.
Sou sujeita a erros, enganos, cegueiras momentâneas, porque afinal somos todos apenas humanos. Minha preocupação com o que acontece por aqui é intensa, e me esforço para que não sombreie minha vida e meu convívio com as pessoas.
Não sou pessimista: tento ser realista. E faço aqui, num jogo não muito bom de palavras, uma breve “lista” de acontecimentos e atitudes que me assustam.
Por toda parte pipocam manifestações, e não me digam que resultam da felicidade do povo com melhorias de vida, que agora quer mais benefícios… não é permitido neste momento grave tapar o sol com nenhuma peneira, nem mesmo dourada.
Descobrimos que podemos nos manifestar, e nos manifestamos, o que é ótimo, é democrático (nem sempre pacífico…).
Protestar é questão de respeito próprio. Muitos desses protestos terminam em violência, e não é meia dúzia de vândalos: boa parte deles participa desde o começo, abertamente mascarada e bem preparada para o que virá. Vidraças de lojas, bancos, invasão de hotel, farmácias, nada escapa à destruição.
Temos reais punições para isso? Ingenuidade, inocência ou desviar os olhos neste momento é ruim. Os protestos se multiplicam, junto com tantas greves, que parece que tudo vai parar.
Diálogos não funcionam, exigências são incorretas ou excessivas, autoridades ignoradas ou atônitas, ordens judiciais descumpridas.
A democracia, nosso fundamento, é difícil. Vivemos num estado de anarquia, pronunciou-se uma desembargadora.
E queimam-se ônibus a torto e a direito: porque falta luz, água; porque as inundações são rotina e novamente perdemos tudo; porque esperamos horas com filho febril no colo e não somos atendidos; porque a condução é péssima; porque alguém foi morto; porque alguém foi preso; ou simplesmente porque perdemos a paciência.
Fica a indagação: por que destruímos tantos ônibus, prejudicando o já tão maltratado povo? O que haverá por trás disso?
Um bando de torcedores de um clube de futebol invade a sede, os jogadores conseguem se esconder, um deles quase é surrado mas ainda escapa para junto dos colegas. Os bandidos, pois são bandidos, rendem um funcionário, quebram, roubam. Reação do clube?
Apenas, que eu visse, no primeiro momento, o treinador explicando: “Os jogadores se esforçaram muito…” Claro que no jogo seguinte o time perdeu. Imagine-se a condição psicológica dos atletas, que até em casa recebem telefonemas ameaçadores.
Se não tomarmos cuidado, se não houver punição rápida, e concreta, vira mais uma moda e perdeu-se o sentido do esporte.
Destruir bens públicos ou privados ou machucar pessoas raramente dá punição: os criminosos são logo soltos, ou tratados como vítimas (menores quase são pegos no colo, e policiais crucificados).
Quadrilhas de bandidos comandam as cidades, a população está desamparada. Por que ninguém se interessa? Não! Porque as leis são anacrônicas ou descumpridas, na leniência geral, e a Justiça acaba favorecendo o criminoso.
Mensaleiros condenados, se presos, continuam em redes sociais, atuam, aparecem na mídia, quase heróis.
Na saúde, de situação surreal, trazer médicos estrangeiros é ficção: o que falta são condições mínimas para um médico sério trabalhar. Muitas vezes não há leito, água, uma aspirina para dar aos pacientes. Na economia, nem me atrevo a falar. Vejam os dados reais.
Na educação estamos entre os piores do mundo: creio obstinadamente que investir em educação (que é sempre a médio prazo) é essencial para sair desse atoleiro.
Mas precisamos melhorar logo, sem comissões inúteis, sem projetos impossíveis — a fim de que o país não lembre uma grande estrutura desconjuntada, com passageiros inertes ou alegrinhos, apavorados, aproveitadores ou descrentes, numa nau sem rumo sobre um mar de naufrágio.

ENDURECER SEM PERDER A TERNURA



SÓ PRA NÃO DIZEREM QUE, HOJE, EU NÃO FALEI DE FLORES
mas não confundam - eu não perco minha capacidade de indignação diante do absurdo













DISCORDAR É DEMOCRÁTICO, O RESTO É FASCISMO

13/02/2014
 às 8:10 \ Opinião Augusto Nunes publicou em seu blog na Veja.com

 * É um texto que precisa ser lido pelos donos da Loja 3428*  Alvaro



‘A patrulha dos donos da verdade’, por Carlos Brickmann

CARLOS BRICKMANN
Raquel Scheherazade, a polêmica âncora do SBT, está no alvo das patrulhas bem-pensantes por ter expressado sua opinião. Um parlamentar quer que o Ministério Público a processe, vários patrulheiros de Internet a insultam pesadamente, um deles chegou a dizer que ela não tem nada de manifestar opinião ─ basta ler as notícias e pronto.
Qual o crime de Raquel Scheherazade? O pecado original, acredita este colunista, é ter opinião própria, opinião esta que não coincide com as posições “Lula é o maior estadista da História” e “Dilma está sempre certa, mesmo que esteja errada”, obrigatórias entre os patrulheiros bem-pensantes. Depois vêm os pecados propriamente ditos: Raquel, explosiva e direta, comenta ao vivo, com os inevitáveis erros da TV ao vivo e com os exageros de quem acaba de assistir a uma notícia que a deixou indignada. No caso atual, Raquel Scheherazade, comentando a cena horrorosa do garoto preso a um poste pelo pescoço, com um cadeado de pendurar bicicletas, disse uma série de barbaridades, em apoio ao ato desumano, sugerindo até que quem fosse contrário à sua opinião aproveitasse a oportunidade e levasse para casa algum delinquente, para cuidar dele como acha que as autoridades deveriam cuidá-lo. Este colunista está do outro lado. E o próprio SBT informou que as opiniões de Raquel Scheherazade são dela, não da emissora ─ o que é um excelente sinal, de que a rede, como nos tempos de Bóris Casoy, não interfere na opinião de seus principais âncoras.
Apologia ao crime? Não, não foi: este colunista (que, como já disse, se opõe ao pensamento da âncora neste caso) acredita que houve exagero, provocado pela indignação de assistir ao incessante desfile dos que defendem os pobres coitados que cometem crimes e condenam os excessos dos que se opõem a eles.
Um deputado do PSOL, indignadíssimo, quer que o Ministério Público processe Raquel Scheherazade pelos comentários que fez. O mesmo parlamentar, entretanto, silenciou há poucas semanas, quando um cavalheiro que não concorda com as ideias da âncora do SBT propôs que ela fosse estuprada. Ele silenciou; muita gente silenciou com ele ─ inclusive uma das principais líderes femininas do PSOL, a gaúcha Luciana Genro, de quem se esperaria o protesto contra a apologia do estupro.
Há quem acredite que parte da guerra contra Raquel Scheherazade se deva a ser mulher e jovem ─ quem esta pirralha pensa que é para ter opinião? Este colunista discorda: ela é atacada por pensar diferente dos patrulheiros e ter a coragem de expor sua opinião ao vivo, de forma contundente, muitas vezes contundente a ponto de ferir os sentimentos de quem não concorda com ela.
Acontece que, nos tempos em que o comunismo era revolucionário e a esquerda radical estudava e lutava, em vez de procurar emprego em órgãos públicos, uma das brilhantes ativistas e pensadoras marxistas, Rosa Luxemburgo, deu uma definição impecável de liberdade, válida naquela época, válida hoje, válida sempre: “A Liberdade é quase sempre, exclusivamente, a liberdade de quem pensa diferente de nós.” Discordar de Raquel Scheherazade, trocar de canal quando ela aparece, enviar cartas de protesto, desde que respeitosas, em linguagem civilizada, perfeito; tentar fazer com que ela perca o emprego ou seja processada por atrever-se a discordar da opinião de um grupo é fascismo.
Como diria Mao Tsé-tung algumas dezenas de anos após a frase irretocável de Rosa Luxemburgo, “deixai crescer as cem flores”. Não sufoquemos o debate.